José Patrício/Estadão
José Patrício/Estadão

Metalúrgicos da Chery devem retornar hoje ao trabalho

Greve dos metalúrgicos completou um mês e travou a produção de 600 veículos, de acordo com a fabricante chinesa

CHICO SIQUEIRA, O Estado de S. Paulo

07 Maio 2015 | 06h00

Após um mês de paralisação e três audiências de conciliação na Justiça Trabalhista, deve terminar nesta quinta-feira, 7, a greve dos 470 metalúrgicos da montadora chinesa Chery, em Jacareí, no interior de São Paulo. A expectativa é do presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, Antônio Ferreira de Barros. Na manhã desta quinta-feira, 7, o sindicato coloca, em assembleia com os trabalhadores, a votação do acordo parcial obtido com a montadora na última audiência, realizada nesta quarta, 6, no Tribunal Regional do Trabalho, em Campinas (SP).

"É praticamente certo que os trabalhadores vão retornar ao trabalho. A possibilidade de fim da greve é de 99%", afirmou Barros. Segundo ele, a maior parte dos itens do acordo parcial já foi aprovada anteriormente pelos metalúrgicos, incluindo a proposta de reajuste do piso salarial dos metalúrgicos da Chery. Os trabalhadores que recebiam R$ 1.190,00 queriam que o piso fosse equiparado com o de outras montadoras da região, em torno de R$ 3,5 mil, mas com o andamento das negociações aceitaram o reajuste proposto pela Chery, de R$ 1.850,00.

Para Barros, o resultado da audiência desta quarta-feira satisfaz os interesses dos trabalhadores. "Conseguimos uma vitória pois conseguimos que eles nos atendessem em algumas propostas e sabemos da cultura dos empresários chineses de pagar baixos salários e de não aceitar os direitos trabalhistas", completou Barros, logo após a audiência de conciliação. "Mas se não houver acordo, daí o movimento vai a julgamento", alertou o sindicalista após a audiência, que demorou cerca de duas horas e foi presidida pela desembargadora Gisela Rodrigues Magalhães de Araújo e Moraes, vice-presidente judicial do TRT da 15ª Região.

Acordo parcial. O fim da greve pode ter sido selado após duas horas de audiência. Além do reajuste, os sindicalistas aceitaram a proposta da empresa de redução gradativa da jornada de trabalho de 44 horas para 42 horas semanais até 2017. A empresa também concordou em fazer o pagamento retroativo dos dias parados, conceder estabilidade de 90 dias, e em fazer a compensação dos 20 dias úteis de greve em apenas quatro dias, um sábado por mês, no decorrer do ano. Uma das propostas mais importantes, pela qual os metalúrgicos justificam a continuidade da greve era a estabilidade até aposentadoria dos trabalhadores lesionados, com a qual a empresa também concordou. A Chery emitiu nota oficial na qual confirma as informações.

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