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Metalúrgicos da Chery em Jacareí ameaçam entrar em greve

Funcionários entregaram aviso de greve à direção da montadora chinesa e podem cruzar os braços por tempo indeterminado a partir desta sexta-feira; caso se concretize, será a terceira paralisação de metalúrgicos apenas em 2015

Igor Gadelha, O Estado de S. Paulo

25 de março de 2015 | 17h59

Após reunião sem acordo, metalúrgicos da fábrica da Chery em Jacareí (SP), inaugurada em agosto de 2014, entregaram aviso de greve à direção da montadora chinesa e podem paralisar as atividades por tempo indeterminado a partir desta sexta-feira. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, a greve será em protesto contra os baixos salários pagos pela empresa e o desrespeito à legislação trabalhista brasileira.

Caso se concretize, será a terceira greve de metalúrgicos só em 2015. Em janeiro, trabalhadores da Volkswagen de São Bernardo do Campo (SP) paralisaram as atividades por 11 dias contra uma proposta da montadora de demitir 800 funcionários. Em fevereiro, metalúrgicos da GM de São José dos Campos também paralisaram as atividades por motivo parecido. Em ambos os casos, trabalhadores só voltaram ao trabalho após acordo com as empresas, que revogaram os cortes.


Representantes da Chery e do sindicato se reuniram na manhã desta quarta-feira em São José dos Campos. Mas, de acordo com o presidente do sindicato, Antônio Ferreira de Barros, o Macapá, a empresa teria se mostrado "intransigente" em assinar convenção coletiva da categoria, estabelecendo um piso salarial e o respeito às regras trabalhistas do País. "Os caras querem transformar o Brasil em China. Isso é absurdo. Da nossa parte não tem mais conversa, é começar a greve", afirmou ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado.

O sindicato reclama que os salários pagos aos trabalhadores da Chery estão muito abaixo dos praticados pelas montadoras da região. Segundo Macapá, o salário inicial na unidade é de cerca de R$ 1,2 mil, enquanto, nas outras fábricas da região, a média seria de R$ 2 mil. Além disso, trabalhadores reclamam da terceirização dos setor de manuseio e do serviço das áreas de funilaria e solda, que estaria sendo feito de forma braçal. Também há denúncias de "péssima" qualidade na alimentação.

Macapá afirmou que o aviso de greve foi entregue por volta das 14h desta quarta-feira. Como a lei estabelece que a paralisação só deve começar 48 horas após o comunicado, os trabalhadores poderão paralisar as atividades somente a partir da tarde de sexta-feira. De acordo com o presidente do sindicato, a entidade sindical vai discutir com os trabalhadores da fábrica qual o melhor dia para começar a greve: se já na sexta-feira ou apenas na próxima segunda-feira.

Procurada pelo Broadcast, a Chery afirmou que entregou uma proposta aos trabalhadores, sem especificar qual, e tentou negociá-la, mas o sindicato teria permanecido "irredutível". Por meio de nota à imprensa, a montadora informou que, diante do aviso de greve entregue pelo sindicato, vai "avaliar" a possibilidade de apresentar "nova proposta" que possa atender as expectativas tanto da empresa quanto dos trabalhadores, para poder seguir com as negociações.

Fábrica. A fábrica da Chery em Jacareí foi inaugurada em agosto de 2014 e possui cerca de 500 funcionários. Na unidade, está sendo produzido, desde 6 de fevereiro, o modelo Celer, cujo lançamento está previsto para 14 de abril. Com a crise econômica e o dólar alto, recentemente a montadora reduziu de 30 mil para 25 mil unidades a previsão de produção para este ano, o que fará com que a fábrica opere com metade da sua capacidade instalada (50 mil).

 

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