José Patrício/Estadão
José Patrício/Estadão

Metalúrgicos da Chery entram em greve na fábrica de Jacareí

Menos de um ano após a inauguração da unidade, funcionários pedem que empresa reconheça convenção coletiva da categoria, o que aumentaria salários

Igor Gadelha, O Estado de S. Paulo

06 Abril 2015 | 11h53

Treze dias após entregarem o aviso de greve, metalúrgicos da Chery em Jacareí (SP) paralisaram 100% a produção, por tempo indeterminado, a partir desta segunda-feira. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, a greve foi deflagrada para pressionar a montadora chinesa a reconhecer a convenção coletiva da categoria, passando, dessa forma, a pagar os salários corretos e cumprir direitos trabalhistas praticados pelas empresas da região.


O sindicato afirma que, desde a inauguração da fábrica, em agosto do ano passado, vem pressionando a Chery a assinar a convenção. Apesar disso, sindicalistas acusam a empresa de se recusar a reconhecer os direitos da categoria e a legislação trabalhistas brasileira. Dentre as práticas consideradas "arbitrárias", estão baixos salários, terceirização ilegal, falta de equipamentos adequados para execução de tarefas, desrespeitos às normas de saúde e segurança e "péssima" qualidade da comida

De acordo com o sindicato, a Chery paga um piso salarial de R$ 1.199 para montador, enquanto um trabalhador com a mesma função na General Motors tem um salário inicial de R$ 3.500. A empresa também estaria se recusando a praticar a jornada de trabalho de 40 horas semanais e a assegurar estabilidade no emprego para vítimas de acidente de trabalho ou de doenças ocupacionais, como previsto na convenção coletiva da categoria.

"Os metalúrgicos não aceitam que a Chery continue desrespeitando os direitos conquistados com muito esforço. A montadora está em pleno funcionamento e, portanto, deve respeitar os direitos praticados na categoria", afirmou o presidente do Sindicato, Antônio Ferreira de Barros, o Macapá, em nota à imprensa.

Outro lado. Em nota, a montadora chinesa ponderou que é uma empresa recém-chegada ao Brasil e avaliou que atender às exigências dos metalúrgicos neste momento colocaria em risco a saúde financeira e o futuro da montadora no País. A empresa afirmou que, desde a reunião com o sindicato dos metalúrgicos, em 25 de março, vem estudando uma nova proposta. A fabricante propôs reajustes salariais que variam de 10 a 12,6%, "maiores do que a média praticada pelo mercado, que gira em torno de 8%". Segundo a montadora, para seguir com o plano de expansão, a Chery tem mantido postura "cautelosa" e "responsável" para continuar gerando empregos na unidade de Jacareí, diante de um cenário de crise do setor automotivo.

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