Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Metalúrgicos da Ford e da Mercedes mantêm greve após fim de manifestação

Na última semana, ao todo, mais de 1000 funcionários foram dispensados por causa da crise do setor automobilístico

Igor Gadelha , O Estado de S. Paulo - Atualizado às 14h30

12 de janeiro de 2015 | 08h29


Trabalhadores da Ford e da Mercedes-Benz de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, seguirão de braços cruzados durante todo o expediente desta segunda-feira, mesmo após o fim da manifestação na rodovia Anchieta, que liga a capital paulista ao litoral sul, contra as recentes demissões nas montadoras. 

Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, o protesto terminou por volta das 11h30. Funcionários da Volkswagen de São Bernardo, em greve desde a última terça-feira, dia 6, também seguem paralisados. 

O protesto começou por volta da 7h. Segundo a Polícia Militar, cerca de 6,5 mil trabalhadores partiram de pontos diferentes da pista marginal da Anchieta, sentido litoral paulista, em direção ao quilômetro 21 da via, onde um ato conjunto "em defesa do emprego" encerrou o protesto. Na ocasião, foram aprovadas duas pautas de reinvindicações. Uma delas será entregue pelo presidente do sindicato, Rafael Marques, ao secretário do Emprego e Relações do Trabalho de São Paulo, João Dado. A outra pauta será entregue, nos próximos dias, a algum representante do governo federal. 

Entre os pedidos, está a criação do "Programa de Proteção ao Emprego", que prevê, entre outras coisas, a ampliação do período de lay-off (suspensão temporária dos contratos de trabalho). A legislação brasileira atual estabelece cinco meses como tempo máximo para o lay-off, mas a ideia é ampliar para até dois anos, mesmo limite estabelecido pela legislação alemã, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). 

Em entrevista à imprensa na última quinta-feira, dia 8, o presidente da associação, Luiz Moan, afirmou que as centrais sindicais já teriam entregado ao governo federal a proposta do programa e que o projeto estaria em análise. "As centrais já se reuniram, inclusive, com a presidente Dilma Rousseff", comentou. Moan disse acreditar que a proposta deve ser aprovada ainda este ano, mas ponderou que as recentes demissões na Volks e na Mercedes não deverão pressionar o governo por uma revisão mais rápida da legislação trabalhista. 

Demissões. Essa é a segunda vez em uma semana que trabalhadores da Mercedes paralisam as atividades. Na última quarta-feira, eles pararam por 24 horas, em protesto contra a demissão de 260 funcionários (100 por decisão da empresa e 160 por meio do Programa de Demissão Voluntária - PDV). Já funcionários da Volks seguem em greve por tempo indeterminado contra o corte de 800 colaboradores, confirmados pela montadora para fevereiro. Não há notícias de demissões na Ford, cujos trabalhadores aderiam ao protesto apenas em apoio às outras montadoras. 


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