Metalúrgicos da GM de São Caetano aprovam greve

Funcionários da General Motors de São Caetano do Sul, no ABC paulista, aprovaram nesta terça-feira em assembléia a proposta de greve a partir do dia 22, caso a montadora não aceite negociar a demissão de 808 funcionárias prevista para este mês. Já na unidade de São José dos Campos, interior de São Paulo, a empresa estaria efetivando 124 trabalhadores que tinham contratos temporários, segundo o sindicato dos metalúrgicos local. O Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano organizou hoje duas assembléias, uma de manhã e outra à tarde, reunindo perto de 4,6 mil funcionários. Nas duas manifestações, o início da produção foi atrasado em três horas. À tarde, trabalhadores realizaram passeata pelas ruas centrais do município. A fábrica emprega cerca de 7,6 mil pessoas. A companhia toda tem 17 mil funcionários no País. Desde junho, já havia demitido 700 pessoas. A montadora informou ao sindicato a necessidade de acabar com o segundo turno de trabalho em São Caetano (das 15h às 24h15) por causa da queda nas vendas. Trabalham nesse turno 1.650 mil metalúrgicos. Parte seria transferida para outras áreas. O fim do turno deve ocorrer em 7 de agosto, quando 4,5 mil funcionários retornam de férias coletivas de dez dias. Também entram em férias 2,5 mil funcionários de São José. A GM tem estoque de 22 mil carros, suficientes para mais de um mês de vendas. A direção da GM continua se recusando a comentar os cortes, assim como as contratações em São José, anunciadas pelo presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Luiz Carlos Prates. Nos próximos três meses vencem os contratos de mais 500 trabalhadores. O vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano, Agamenon Alves, disse que ainda não conseguiu marcar encontro com a direção da GM. A entidade quer propor alternativas para evitar os cortes, como licença remunerada ou lay-off (suspensão temporária do contrato de trabalho). Caminhões A Mercedes-Benz vai dar folga aos 4 mil trabalhadores da produção da fábrica de São Bernardo do Campo, provavelmente nos dias 26 e 29. A medida é para adequar a produção à demanda, informou a empresa. A montadora do grupo DaimlerChrysler ainda mantém os planos de negociar até setembro a saída de 700 funcionários - de um total de 9,8 mil - por conta de reestruturação na fábrica. Também em São Bernardo, a Scania informou hoje que os 70 funcionários que receberam cartas comunicando seus desligamentos vão receber os salários até novembro. Eles estão em licença remunerada desde fevereiro. O presidente em exercício do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, José Lopes Feijóo, disse que a montadora está descumprindo acordo feito em novembro, que previa manutenção de emprego por um ano. A Scania entende não estar descumprindo o acerto porque vai pagar os salários até essa data. As vendas de caminhões da marca caíram 50% no primeiro semestre, passando de 2.799 unidades em 2001 para 1.380 até junho. Parte da redução dos negócios da Scania é consequência do reajuste de preços de 25% promovido no início do ano com o objetivo de recuperar rentabilidade. Em 2001, a empresa era líder de vendas no segmento, com 36% de participação, e hoje tem 21,1%, ficando em terceiro lugar, atrás da Volvo (31%) e da Mercedes (26%). Para Alves, as demissões nas montadoras terão reflexo maior no setor de autopeças. O negociador trabalhista do Sindicato Nacional dos Fabricantes de Autopeças (Sindipeças), Drausio Rangel, informou que, por enquanto, não há planos de demissão em massa. O setor emprega 170 mil pessoas. Em Taubaté, três empresas, a SM, Pelzer e Schnellecke vão seguir a decisão de sua principal cliente, a Volkswagen, e adotar para agosto semana de quatro dias de trabalho para seus 1,45 mil funcionários.

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