Metalúrgicos da Honda e Toyota têm reajuste salarial de 10%

Em Campinas, trabalhadores da Mercedes-Benz rejeitaram proposta de aumento de 6,53% e continuam em greve

Michelly Chaves Teixeira, Agência Estado

16 de setembro de 2009 | 15h04

Após entrar em greve na segunda-feira, os metalúrgicos da Toyota (Indaiatuba, SP) e da Honda (Sumaré, SP) conseguiram 10% de reajuste salarial, acima que foi obtido pelos trabalhadores de montadoras da região do grande ABC. Segundo informações do Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas e Região, a proposta do Sindicato dos Fabricantes de Veículos Automotores (Sinfavea) foi aceita na terça-feira, 15.

 

Os 10% de reajuste salarial representam variação de 4,44% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), além de 5,32% de aumento real. Os funcionários que recebem acima do teto de R$ 7.833,00 terão reajuste de 50% do INPC. O piso salarial será de R$ 1.275,00.

 

Por outro lado, os trabalhadores da fábrica da Mercedes-Benz, em Campinas (SP), rejeitaram a proposta do Sinfavea de correção salarial de 6,53% (4,44% mais 2% de aumento real), além de um abono de R$ 1.500,00 - mesma proposta lançada por montadoras aos metalúrgicos que atuam na região do grande ABC, que foi aceita. "O Sinfavea será comunicado sobre a rejeição da proposta e caso não melhore a proposta econômica, os trabalhadores da Mercedes-Benz poderão entrar em greve", alertam os sindicalistas, em nota.

 

No ramo de autopeças, acontece nesta quarta-feira, 16, uma paralisação na Mahle, que fabrica polias e engrenagens para montadoras e está instalada em Indaiatuba. Dos cerca de 480 trabalhadores da fabricante, cerca de 300 estão parados, pertencentes ao primeiro e terceiros turnos.

 

Em São José dos Campos, os metarlúrgicos retomaram hoje a greve na General Motors (GM). A decisão foi tomada em assembleias que reuniram cerca de quatro mil trabalhadores do primeiro turno, segundo nota do sindicato.

 

Ontem, representantes do sindicato e da montadora participaram de audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho da 15ª região. Como as partes não chegaram a um acordo, o desembargador Luiz Antonio Lazarim, vice-presidente do TRT, determinou que haja um novo encontro entre as partes esta semana. Além de reajuste salarial, os metalúrgicos pedem a suspensão do afastamento, promovido ontem pela GM, de dois diretores sindicais. Procurada, a GM preferiu não fazer comentários sobre as negociações.

 

A paralisação desta quarta é a terceira realizada desde o último dia 10. "Os trabalhadores reafirmaram também um chamado aos funcionários da GM de São Caetano do Sul para que iniciem paralisações para aumentar a pressão sobre a empresa", afirmaram os sindicalistas, em nota. Em assembleia, os trabalhadores de São Caetano também rejeitaram a proposta das montadoras na última segunda-feira.

 

A última proposta apresentada pelo Sinfavea (Sindicato dos Fabricantes de Veículos Automotores) foi de 6,53%, sendo 4,44% de INPC, aumento real de 2% e abono de R$ 1.500. Os trabalhadores, por sua vez, reivindicam 14,65% de reajuste, sendo 8,53% de aumento real.

 

Região do ABC

 

Mais de três mil metalúrgicos de oito empresas do ABC, muitas de autopeças, pararam a produção do turno da manhã nesta quarta-feira para reivindicar aumento real de salário. Trabalhadores na Toledo, Kostal, Serra Bucher e Selco (em São Bernardo, SP), Delta, Brasmeck e Legas Metal (Diadema) e Faparmas (Ribeirão Pires) darão continuidade às mobilizações da campanha salarial dos metalúrgicos.

 

No fim de semana passado, os metalúrgicos das montadoras do grande ABC aprovaram a proposta de reajuste salarial feita pelas montadoras associadas ao Sinfavea. Ficou acertado que o abono de R$ 1.500,00 será pago em 25 de setembro. Já o porcentual de reajuste, de 6,53%, equivale a uma variação de 4,44% do INPC no acumulado de 1º de setembro de 2008 a 31 de agosto de 2009, mais 2% de aumento real. Os trabalhadores dos demais grupos do setor metalúrgico, entre eles autopeças, continuam a mobilizar-se.

 

Paraná

 

Os metalúrgicos das empresas automotivas Renault-Nissan e volvo, instaladas no Paraná, encerraram a greve na manhã desta quarta-feira, 16, após assembleia. Funcionários da Volkswagen-Audi continuam a paralisação. Os funcionários reivindicavam reajuste de, no mínimo, 8% (3% de aumento real + 4,44?% de reposição do INPC) já em setembro, além do abono de R$ 2 mil e correção do vale-mercado para R$ 120.

 

Segundo informações do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, os quatro mil metalúrgicos diretos e outros mil terceirizados da unidade da Renault de São José dos Pinhais, na região de Curitiba, e os 2,6 mil trabalhadores da fábrica da Volvo na Cidade Industrial de Curitiba decidiram encerrar a greve nas duas empresas na manhã de hoje.

 

A greve na empresa Volvo durou apenas um dia e na empresa francesa a paralisação durou 12 dias. O Sindicato dos Metalúrgicos tem audiência com a diretoria da Volkswagen hoje por volta das 16 horas e uma nova assembleia deve acontecer às 14 horas de amanhã, quando os 3,5 mil funcionários diretos e outros 2 mil terceirizados, em greve há 11 dias, devem decidir sobre o fim da paralisação.

 

 

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