Metalúrgicos da Multibrás chegam a acordo sobre demissões

Após oito dias de negociação, o Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, a Multibras e a comissão de fábrica conseguiram chegar a um acordo de benefícios aos 450 trabalhadores que serão demitidos e outros 150 que serão transferidos. As demissões e transferências foram anunciadas pela empresa no dia 15, em razão da desativação da fábrica paulista e a transferência de produção para a unidade de Rio Claro, interior paulista. "Foram dias de ocupação, foi um acordo muito difícil. Eles (a empresa) tentaram nos golpear, mas não conseguiram. Chegamos a um acordo razoável", afirma o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, Eleno Bezerra.Entre reivindicações e contrapropostas, o que foi concordado na terça-feira entre o Sindicato e a Multibras é que os demitidos terão pagamento de 70% do salário por ano trabalhado, com teto de sete salários, além de quatro meses de cesta básica, quatro meses de assistência médica, 200 horas de curso de qualificação e manutenção do programa de recolocação para os demitidos. Para os 150 funcionários que serão transferidos para Rio Claro, a empresa garante doze meses de emprego, doze meses de auxílio aluguel no valor de até 25% do salário, pagamento das despesas com a mudança e manutenção dos salários dos funcionários. Se dentro de seis meses o trabalhador transferido não se adaptar, a empresa garante todos os benefícios que serão pagos aos demitidos. A Multibras, inicialmente, oferecia aos demitidos meio salário por ano trabalho, com teto de R$ 5 mil, além de outras indenizações previstas por lei. Os metalúrgicos recusaram e, inicialmente, pediram 1 salário por ano trabalhado e sem teto.Questionado se o resultado final foi positivo, Eleno avalia: "Quando você entra com uma reivindicação você está aberto a negociar. Não há acordo em qualquer setor que se consegue 100% das reivindicações". E comparou com o caso do salário mínimo, em que fora reivindicado ao governo federal reajuste para R$ 420, mas chegou-se a um acordo final de R$ 380. Sobre a ocupação da fábrica, o presidente do Sindicato diz que é uma forma de "pressionar a empresa". "Se não fosse o Sindicato, os trabalhadores teriam saído com meio salário por ano trabalhado. A força do Sindicato fez com que se chegasse onde chegou. Foi uma vitória", ressalta.Desde o anúncio das demissões e transferências, os trabalhadores ocuparam a fábrica e iniciaram as negociações. "A proposta inicial deles não era ruim, comparando com o que acontece em outras ocasiões e em outras empresas. Mas um bom acordo seria não demitir ninguém, o que, segundo a empresa, não era possível. Jogaram essa proposta inicial, mas esqueceram que existia o Sindicato e não deixamos isso passar", ataca Eleno. "Agiram igual os norte-americanos, que só pensam em estratégia de guerra, que gosta de surpreender. Mas não deu certo e fizemos eles gastarem bem mais do que pretendiam", acrescenta.O anúncio de transferência das atividades da unidade da Multibras de São Paulo para Rio Claro foi feito no último dia 15. A empresa é produtora de eletrodomésticos das marcas Brastemp e Consul. Só na unidade paulista eram fabricados 60 mil fogões da marca Brastemp por mês. Já na fábrica de Rio Claro são produzidos fogões Consul e lavadoras.

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