Metalúrgicos da Volks de Taubaté abrem mão de reajuste real até 2022

Acordo também prevê a abertura de um Programa de Demissão Voluntária, que ainda não tem data para o início de adesão; condições podem ser alteradas caso cenário econômico mude

André Ítalo Rocha, O Estado de S.Paulo

14 de dezembro de 2016 | 05h00

Os metalúrgicos da fábrica da Volkswagen de Taubaté, no interior de São Paulo, aceitaram ontem não ter reajuste na campanha salarial deste ano e abriram mão de aumentos acima da inflação entre 2017 e 2022. Em contrapartida, a montadora firmou o compromisso de não demitir ninguém até lá. A fábrica conta com cerca de 4 mil funcionários.

Com reajuste zero em 2016, os trabalhadores terão uma perda real de 8,97%, equivalente à taxa de inflação acumulada em 12 meses até agosto, de acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) - a data-base da categoria é 1.º de setembro. Se considerar o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede o comportamento de preços para famílias com renda de um a cinco salários mínimos e chefiadas por assalariados, a perda é de 9,62%.

O acordo, que garante apenas a reposição da inflação entre 2017 e 2022, prevê também a abertura de um Programa de Demissão Voluntária (PDV), que ainda não tem data para começar, e assegura a participação nos lucros e resultados, entre outras vantagens. “O Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté considera positiva a negociação, já que o País passa por uma turbulência econômica e política. O acordo garante a manutenção da Volkswagen e dos trabalhadores em Taubaté”, informou, em nota, o sindicato.

Apesar de ter aceitado não receber nenhum aumento real até 2022, o sindicato afirmou, por meio de sua assessoria de comunicação, que as condições do acordo podem mudar caso haja uma melhora do mercado acima do esperado. Inaugurada em 1976, a fábrica de Taubaté produz hoje os modelos up!, Gol e Voyage.

Ainda em nota, a montadora informou que o acordo garante o equilíbrio entre as necessidades da empresa e dos trabalhadores, “com elementos que nos permitirão fazer frente aos desafios atuais, por meio de mecanismos de adequação das estruturas de custos e de efetivo da unidade do Vale do Paraíba, além de preparar a fábrica para o futuro”.

A empresa, que conta com quatro fábricas no Brasil e 18 mil trabalhadores no total, informou em novembro que pretende demitir mais 3 mil funcionários em suas operações no País ao longo de um período de cinco anos a partir deste ano. Mas os desligamentos, ressaltou a Volkswagen à época, já estão previstos nas negociações de acordos coletivos com os sindicatos de cada região.

PDV no ABC. Em setembro, um PDV aberto para funcionários da fábrica de São Bernardo do Campo resultou no desligamento de 1.337 trabalhadores, segundo balanço divulgado, à época, pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Antes do programa - no qual a companhia ofereceu 20 salários extras, além de meio salário por ano trabalhado -, a fábrica empregava cerca de 10,5 mil pessoas. 

No Brasil, onde a venda de veículos enfrenta uma queda generalizada desde 2013, a Volkswagen foi a que mais perdeu participação de mercado nos segmentos de automóveis e comerciais leves. No fim de 2012, a marca ocupava a segunda posição na preferência dos brasileiros, com 21,1% de participação. No acumulado de 2016 até novembro, a fatia da montadora caiu para 11,5%, ficando na terceira colocação.

O setor como um todo deve terminar o ano com queda de 19% nas vendas, para 2,08 milhões de unidades, entre automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, segundo estimativa da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). O recuo acumulado até novembro é de 21,2%. Para o ano que vem, a expectativa é de crescimento de um dígito, mas ainda não há uma projeção oficial.

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