Metalúrgicos da Volvo encerram paralisação

Trabalhadores da Volks, em Curitiba, e da Toyota, em Indaiatuba, continuam em greve

Evandro Fadel / CURITIBA, O Estado de S.Paulo

21 de setembro de 2010 | 00h00

Os cerca de 2.700 metalúrgicos da Volvo do Brasil, instalada na Cidade Industrial de Curitiba, aceitaram ontem pela manhã proposta da empresa, que reajusta o vale-mercado de R$ 60 para R$ 200, e decidiram encerrar a greve decretada sexta-feira.

Durante o período da paralisação, a empresa deixou de produzir aproximadamente 150 caminhões. Os metalúrgicos da Volkswagen, em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, não receberam a proposta que queriam e optaram por continuar a paralisação "pipoca" decidida no sábado.

Na sexta-feira, a direção da Volvo já havia aceitado algumas das cláusulas econômicas defendidas pelo Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba. Os trabalhadores terão reajuste salarial de 10,08% a partir deste mês, o que representa um aumento real de 5,55%, semelhante ao que já tinha sido conseguido pelos trabalhadores da Renault, instalada em São José dos Pinhais, na semana passada.

Eles também tiveram a promessa de abono de R$ 4,2 mil, a serem pagos em duas parcelas, uma ainda em setembro e outra no início de outubro.

"Mais uma vez os trabalhadores da Volvo deram exemplo de mobilização, o reajuste do vale-mercado é uma conquista importante, já que esse benefício estava congelado havia 14 anos", afirmou o presidente do sindicato, Sérgio Butka.

A empresa emitiu uma nota destacando que a proposta salarial apresentada na sexta-feira foi "bastante favorável". Ela ainda ressaltou que a Volvo é a "única montadora de veículos do Paraná" a dar o vale- mercado.

Na Volkswagen, os trabalhadores do segundo turno não entraram na indústria na tarde de ontem. No sábado, eles tinham decidido pela greve "pipoca", parando um turno a cada dia. No total, a Volkswagen tem 5,6 mil trabalhadores - 4 mil diretos e 1.600 terceirizados. De acordo com o sindicato, até ontem cerca de 820 carros deixaram de ser produzidos. As direções do sindicato e da empresa estavam reunidas na tarde de ontem para discutir uma proposta a ser apresentada em assembleia hoje. A Volks preferiu não se pronunciar sobre a paralisação.

Toyota. Os trabalhadores da Toyota, em Indaiatuba, decidiram em assembleia realizada no final da tarde de ontem pela manutenção da greve deflagrada no dia 16. A maioria dos 2.100 funcionários da empresa aderiu à paralisação, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas e Região.

Também continua em greve a maioria dos 800 empregados da Mercedes Benz em Campinas. Eles recusaram a contraproposta patronal de 10,5% e aguardam, assim como a Toyota, uma nova rodada de negociações.

Apenas a Honda, em Sumaré decidiu aceitar a proposta patronal e retornou as atividades já no fim de semanal. Os representantes dos 3 mil funcionários aceitaram o reajuste de 10,5% proposto pela Sinfavea.

Os trabalhadores de duas montadoras, Toyota e Mercedes Benz insistem e pedem 17,45% de reajuste, redução da jornada de 40 para 36 horas, fim do fator previdenciário, licença-maternidade de 180 dias e auxílio-creche para filhos com até 6 anos./ COLABORAÇÃO DE ROSE MARY DE SOUZA, ESPECIAL PARA O "ESTADO"

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.