Metalúrgicos de SP paralisam empresas em "ato de advertência"

O Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, ligado à Força Sindical, realizou na manhã de hoje "ato de advertência" em 35 indústrias instaladas na zona leste da capital paulista, com a paralisação da produção por um período de 2 a 4 horas. O ato terminou às 10h30, com a participação, segundo o Sindicato, de 3,5 mil trabalhadores.Com o ato, os metalúrgicos pretenderam pressionar empresários a abrirem negociações com a categoria, cuja data-base é em novembro e, neste momento, está em campanha salarial. Reivindicam reajuste salarial de 14%, piso salarial de R$ 800, participação nos lucros, eleição de delegado sindical dentro da empresa e redução da jornada de trabalho sem diminuição de salário, entre outros itens."Definimos, em assembléia, esperar até o dia 25 de outubro por uma proposta dos empresários", informou o presidente do sindicato, Eleno Bezerra. "Se a proposta não chegar, aproveitaremos a realização da plenária da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da Força Sindical, no dia 27, para deliberar sobre qual tipo de greve faremos: por setor ou por empresa", complementou o sindicalista, que na mesma plenária deverá ser eleito presidente da Confederação, acumulando os dois cargos.Números negociadosComo a campanha salarial dos metalúrgicos foi antecipada este ano, com início em agosto, Bezerra admitiu que os trabalhadores enfrentam dificuldade para estabelecer um índice adequado de reajuste salarial e aumento real de salário (acima da inflação)."Em agosto, quando abrimos a campanha, a projeção de inflação para o ano era de 6%. Mas, em seguida, verificamos deflação naquele mês e a projeção para o ano recuou para 5%, com um crescimento do Produto Interno Bruto de, no máximo, 3,5%, o que levará algumas empresas a reduzirem produção em relação ao ano passado", ponderou. "Precisamos aprofundar negociações com os empresários para chegarmos a um denominador comum, sem abrir mão, porém, de aumento real de salário."Discussões de cláusulas sociaisAinda na manhã de hoje, sindicalistas e representantes dos empresários mantiveram negociações na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), dando continuidade a encontros iniciados na semana passada. Por enquanto, os dois lados não discutiram questões econômicas, limitando as tratativas a cláusulas sociais.Foram discutidas a regularização da utilização da mão-de-obra de presidiários pelas empresas; o fim da instalação de câmeras em vestiários e banheiros; isenção de tarifas bancárias; fornecimento, pelas empresas, de cópias aos empregados das guias de depósito do FGTS e recolhimentos das contribuições previdenciárias. Na segunda-feira, outra reunião, também na Fiesp, envolverá negociações dos trabalhadores com os empresários do setor de fundição.

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