Metalúrgicos do ABC aceitam reajuste de 6,53%

Os metalúrgicos do Grande ABC Paulista aprovaram proposta das empresas para reajuste de 6,53%. O acordo foi negociado na madrugada de hoje pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e aprovado em assembleia realizada esta manhã com a presença de 10 mil trabalhadores, segundo o sindicato. "É o melhor índice de aumento real do País em 2009 até o momento", afirmou o presidente do sindicato, Sérgio Nobre. Tendo como base o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de 4,44%, Nobre considera o porcentual de 2% de aumento real bastante positivo.

AE, Agencia Estado

12 de setembro de 2009 | 12h53

Além dos 2% acima da inflação, a proposta inclui abono salarial de R$ 1.500,00, equivalente a alta de 2,07%. Nas contas do sindicato, o combinado de aumento real chega a 4,11%. "Diante do período de crise que passamos e ainda com alguns segmentos dentro do setor em dificuldades, o resultado da negociação pode ser considerado uma vitória", disse, referindo-se aos problemas ainda enfrentados pelos segmentos de caminhões e ônibus, mais dependentes das exportações.

O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,9% no segundo trimestre ante o primeiro, demonstrando a saída do Brasil da recessão técnica, ajudou na negociação, segundo Nobre. "A avaliação para o futuro é bastante positiva. A expectativa é de manutenção do ritmo de vendas de automóveis e de melhora nas vendas de caminhões e ônibus, o que contribuiu, inclusive, para conseguirmos alguns benefícios além do reajuste", afirma.

Nas cláusulas sociais, foram aprovados entre outros itens a ampliação de 18 para 36 meses do auxílio-creche. Uma das cláusulas destacadas pelo presidente do sindicato foi a liberação, sem desconto no salário, do trabalhador um dia por ano para participar de curso de formação no sindicato. As condições serão negociadas por empresa.

Haverá, no entanto, um teto para o reajuste. Os 6,53% só serão aplicados nos salários até R$ 7 mil por mês. A partir deste valor, o trabalhador receberá um fixo de R$ 457,10. Não houve negociação para estabilidade no emprego. No início da crise a categoria contava com 102 mil trabalhadores e hoje tem 92 mil, de acordo com o presidente do sindicato.

O acordo não envolve os trabalhadores nas autopeças e nos demais grupos, que amanhã terão negociação com o Sindipeças, e na próxima quinta-feira participam de assembleia para votação das propostas. O sindicato tenta que o acordo dos metalúrgicos do ABC seja replicado para os demais grupos. Se isso não ocorrer há ameaça de ser decretada greve por tempo indeterminado na quinta-feira.

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