Metalúrgicos fazem 1ª greve da crise

Só ontem 15 mil trabalhadores da VW, Ford e Renault, no PR e em SP, paralisaram suas atividades por aumento salarial

Cleide Silva e Evandro Fadel, O Estadao de S.Paulo

05 de setembro de 2009 | 00h00

Metalúrgicos da Volkswagen e da Renault/Nissan, no Paraná, decretaram greve por tempo indeterminado por aumento salarial, na primeira manifestação trabalhista desde o aprofundamento da crise global, em setembro do ano passado. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (ligado à Força Sindical), cerca de 8,5 mil trabalhadores paralisaram as atividades.

Em São Paulo, metalúrgicos da VW e da Ford, em Taubaté, e da VW de, São Bernardo, fizeram manifestações com paralisações de advertência de 24 horas. No total, nos dois Estados, 15 mil trabalhadores cruzaram os braços ontem.

Os metalúrgicos das montadoras e de empresas de autopeças iniciam nova onda de paralisações pouco tempo depois da crise, período em que a categoria concordou em reduzir jornada e salários, além de assistir a um corte de mais de 10 mil vagas nas empresas do setor.

O movimento deve ser ampliado na próxima semana e ocorre num mês em que as montadoras querem ampliar a produção e formar estoques para aproveitar um possível aumento de demanda no último mês de redução integral do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). A partir de outubro, a alíquota começa a ser retomada gradualmente, até janeiro.

A categoria está em data-base e reivindica reajuste integral da inflação (prevista em 4,66% pelo INPC), aumento real em índice não revelado e abono mínimo de R$ 2 mil. As montadoras oferecem, até agora, repasse da inflação e abono de R$ 1,5 mil.

No ABC, cerca de 5 mil metalúrgicos reunidos em assembleia na porta do Sindicato dos Metalúrgicos decidiram ontem à noite realizar greves de advertência nas montadoras e autopeças a partir de terça-feira. No sábado, fazem nova assembleia. Se a proposta das empresas não melhorar, prometem greve por tempo indeterminado. Se for deflagrada, será a primeira greve conjunta das montadoras da região desde 2001.

O presidente da Federação dos Sindicatos Metalúrgicos da CUT, Valmir Marques, alega que o setor automobilístico se beneficiou das medidas de redução do IPI, concedidas pelo governo federal. "As montadoras têm condições de conceder reajuste melhor, compatível com o crescimento do setor."

Dentre os trabalhadores reunidos ontem no ABC, 2.500 eram do turno da noite da VW. Após rejeitarem a proposta, decidiram não voltar à fábrica. "Estamos confiantes que o momento permite melhoria salarial", disse o presidente do sindicato do ABC, Sérgio Nobre. "Investir em salário é uma medida anticíclica. O governo fez isso com o mínimo, os empresários têm que fazer a sua parte."

O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Jackson Schneider, questiona: "É preciso negociar salários pensando no longo prazo, não só no momento atual".

Segundo ele, embora o mercado interno apresente aumento de vendas de 2,7% ante 2008, a produção de veículos caiu 11,9% por causa da redução das exportações. "Nossa condição de competitividade está diminuindo ante outras regiões do mundo e isso pode afetar o próprio emprego local", alerta.

COLABOROU MARIANA BARBOSA

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