Metalúrgicos ligados à Força lançam campanha salarial

Dirigentes dos 51 sindicatos ligados à Federação dos Metalúrgicos do Estado de São Paulo (ligada à Força Sindical), que representam 700 mil trabalhadores, deram início hoje, com a inauguração de uma pauta com quatro reivindicações e o início de assembléias nas fábricas, a campanha salarial de emergência para reposição das perdas provocadas pela inflação dos últimos quatro meses.A pauta de reivindicações dos 180 dirigentes, que será entregue para a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) no próximo dia 26, pede a reposição das perdas provocadas pela inflação na forma de antecipação salarial, a redução da jornada de trabalho, implantação de apólice de seguro especial para casos de rescisão de contrato de trabalho e, por fim, a criação de um canal direto, que os sindicalistas chamam de "análise conjuntural" para que sejam abertas negociações com os patrões sempre que ocorram casos de perdas salariais acentuadas. A pauta começa a ser discutida a partir de hoje em assembléias nas fábricas.Os dirigentes decidiram ainda realizar uma série de intervenções na mídia para que a campanha de emergência não seja confundida com "tentativa de desestabilização" do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. "Nós, que somos ligados à Força Sindical, apoiamos Lula no segundo turno e essa campanha não tem nada a ver com o novo governo", argumentou o vice-presidente da Federação dos Metalúrgicos, Francisco Salles. "Há oito anos não fazemos uma campanha de antecipação salarial, mas nos últimos quatro meses as perdas foram muito grandes."Os metalúrgicos tiveram reposição salarial de 10,26% em novembro, data-base do dissídio coletivo da categoria. Eles argumentam que terão toda a reposição corroída até o final de fevereiro com a inflação estimada de 11% para o período. "Se não houver antecipação já no final do ano, será impossível para a classe patronal repor a inflação toda caso ela chegue à casa dos 20%. Por tanto, nada mais correto que o reajuste seja colocado aos poucos no bolso do trabalhador", defendeu Salles.

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