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Metalúrgicos obtêm 10,81% de reajuste

Montadoras queriam parcelar pagamento, mas cederam e vão pagar 6,25% de aumento acima da inflação, além de abono de R$ 2,2 mil

Marcelo Rehder, O Estado de S.Paulo

20 de setembro de 2010 | 00h00

As montadoras concordaram ontem em alterar o formato de pagamento da proposta de aumento salarial e os sindicatos de metalúrgicos fecharam o acordo da categoria no Estado de São Paulo. Mais de 40 mil trabalhados vão receber 10,81% de reajuste salarial retroativo a 1º de setembro, mais abono de R$ 2,2 mil a ser pago em 20 de outubro. O reajuste corresponde a 6,25% de aumento real mais reposição da inflação de 4,29%.

"É o maior acordo do País", comemorou o presidente da Federação dos Sindicatos de Metalúrgicos da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Valmir Marques, o Biro-Biro.

O sindicalista ressaltou ainda que o índice mais o abono correspondem a um total de 14,5% de reajuste nos salários. "É uma vitória da categoria que vai servir de referência para negociações em todo o Brasil."

A proposta das montadoras estabelecia o parcelamento do pagamento. Dos 10,81% de reajuste, 9% seriam retroativos a 1.º de agosto, e 1,66% pagos em agosto do ano que vem. O abono seria dividido em duas parcelas de R$ 1,1 mil, a serem pagas em 20 de outubro e 20 de novembro.

Em assembleias no fim de semana, os trabalhadores recusaram a proposta, mas autorizaram os sindicalistas a fechar acordo se as montadoras se comprometessem a fazer os pagamentos de uma só vez.

"Fizemos contato com as montadoras e elas deram o OK", disse Biro-Biro.

Além dos metalúrgicos de montadoras do ABC paulista e de Taubaté (base da CUT), o acordo também beneficia metalúrgicos de Tatuí (Força Sindical) e de São Carlos, onde o sindicato é ligado à CGTB.

O movimento dos metalúrgicos aconteceu em um momento de recordes de vendas e produção da veículos no País. Mesmo sem os incentivos fiscais dados pelo governo, agosto foi o segundo melhor mês da história da indústria automobilística no País. Ficou atrás somente de março deste ano, período que antecedeu o fim da isenção do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) dos automóveis.

Estratégia de negociação. Para complicar a situação das montadoras, diferentemente do que acontece em São Bernardo do Campo, as negociações salariais em algumas regiões são feitas diretamente empresa por empresa, e não com o Sindicato Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Sinfavea).

Assim, as empresas tinham de ficar com "um olho no peixe e o outro no gato", para não se arriscarem a perder mercado. A correria começou segunda-feira da semana passada. Os metalúrgicos das fábricas da General Motors em São José dos Campos, interior paulista, e em São Caetano do Sul, na região do ABC, fecharam acordo de reajuste salarial de 9% (4,52% além da inflação) mais abono de R$ 2,2 mil.

Logo em seguida, foi a vez da Honda, de Sumaré (SP), fechar acordo ainda mais favorável aos trabalhadores. O reajuste salarial foi de 10,5%, o que significou aumento real de 5,95%. A mesma proposta, no entanto, foi recusada pelos metalúrgicos da Toyota, de Indaiatuba, e da Mercedes-Benz, de Campinas, que entraram em greve para pressionar as empresas a melhorar a oferta.

A queda de braços também acontece na região metropolitana de Curitiba, onde os metalúrgicos da Volks e da Volvo estão em greve por aumento salarial.

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