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Metalúrgicos protestam contra a decisão do Supremo

Para os trabalhadores, suspensão do aumento do IPI para carros importados deve afetar emprego nas montadoras

O Estado de S.Paulo

21 de outubro de 2011 | 03h05

Para o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, a decisão tomada ontem pelo Supremo Tribunal Federal (STF), de suspender a cobrança imediata do aumento de 30 pontos porcentuais do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos importados, "é contra os trabalhadores, contra a geração de empregos, contra a produção nacional, contra os interesses do País".

O presidente da entidade, Sérgio Nobre, afirmou em nota que a decisão "atende a interesses dos importadores". Ele ressaltou que o decreto que aumentou o IPI estabelecia exigências, como a obrigatoriedade de um índice de nacionalização de 65% para os carros produzidos no País. Carros feitos no Mercosul e no México também estão incluídos no decreto de 15 de setembro .

Essa medida, disse o sindicalista, "foi resultado da intensa mobilização dos trabalhadores metalúrgicos contra o aumento das importações que, somente em 2010, trouxeram para o Brasil mais de 600 mil veículos".

Segundo Nobre, com essas importações, 105 mil empregos teriam deixado de ser gerados no setor automobilístico em todo o País. Nobre lembrou ainda que, desde o início do ano, os metalúrgicos do ABC (filiado à CUT), em conjunto com sindicatos de outras centrais, como a Força Sindical, realizaram eventos, atos e manifestações contra as importações de veículos e em favor da produção nacional e de empregos de qualidade.

Em julho, 30 mil metalúrgicos realizaram manifestação na Rodovia Anchieta para denunciar o problema e exigir soluções do governo federal. Por ter interrompido o tráfego no local, as entidades organizadoras estavam sujeitas à multa de R$ 1 milhão.

OMC. O aumento do IPI, porém, foi questionado na Organização Mundial do Comércio (OMC) pelo Japão, com aval dos Estados Unidos, Europa e Austrália, contrários à proteção que o Brasil está dando aos veículos fabricados localmente ou nos países com os quais o País têm acordo comercial, casos da Argentina, Paraguai, Uruguai e México. O governo brasileiro já manifestou intenção de rever a medida somente para as montadoras que anunciaram planos de construção de fábricas no País./ C.S.

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