Renda extra

Fabrizio Gueratto: 8 maneiras de ganhar até R$ 4 mil por mês

Metas de inflação: é hora de ajustes

Para analistas, sistema entra numa fase de importantes mudanças

Fernando Dantas, RIO, O Estadao de S.Paulo

15 de maio de 2009 | 00h00

O modelo de metas de inflação, hoje utilizado por vários países, resistiu bem à crise financeira global. Agora, porém, o sistema pode entrar numa fase de importantes mudanças, ligadas à necessidade de prevenir a formação de bolhas especulativas como a que culminou com o colapso do Lehman Brothers em setembro de 2008. Esta foi, resumidamente, uma das principais conclusões a serem tiradas do primeiro dos dois dias do 11º Seminário Anual de Metas para a Inflação, organizado pelo Banco Central (BC), no Hotel Copacabana Palace, no Rio.O Brasil, anfitrião do encontro, que celebra neste ano dez anos de introdução das metas de inflação, é apontado como um dos casos de maior sucesso do modelo. No seu curto período de vida no País, o sistema enfrentou crises violentas de 2001 a 2003 e momentos de forte puxada dos juros para manter a inflação na meta. O saldo, porém, é amplamente favorável: antes da crise global, o Brasil atingiu o mais alto ritmo de crescimento das últimas décadas, com inflação controlada e estabilidade macroeconômica quase inimaginável dado o histórico de turbulências do País.O economista Klaus Schmidt-Hebbel, da Universidade Católica do Chile, e ex-pesquisador do BC chileno, mostrou, durante o almoço de ontem, um gráfico baseado em dados sobre o desvio da inflação efetiva em relação às metas em vários países. No caso brasileiro, depois de disparar, entre 2002 e 2004, e ficar muito maior do que a média de outros países, aquele desvio foi trazido para baixo até tornar-se, após 2008, menor que o da média tanto das nações desenvolvidas como das emergentes. "A experiência brasileira representou o maior teste de estresse de um sistema de metas de inflação já registrado", disse Armínio Fraga, sócio-fundador da Gávea Investimentos e ex-presidente do BC, responsável pela introdução do regime de metas no Brasil. Fraga fez a conferência de encerramento do primeiro dia do encontro.O economista americano Michael Woodford, entretanto, fez um alerta contra o excesso de "complacência" em relação aos sistemas de meta de inflação. Principal estrela acadêmica do seminário na quinta-feira, o professor da Universidade Columbia lembrou que o regime de metas "não isolou completamente o Brasil da crise".Mas foi, na verdade, o caso dos EUA - que não têm um regime explícito de metas - que suscitou críticas e sugestões sobre a atuação dos bancos centrais no futuro. O diretor de Política Econômica do BC, Mário Mesquita, observou que há analistas que veem na manutenção das taxas de juros americanas em nível muito baixo, por prolongado período, a causa principal da bolha financeira que viria a estourar no segundo semestre de 2008.Esse longo período de política monetária frouxa está ligado ao fato de que a inflação americana medida pelos índices de preços de produtos e serviços estava muito baixa. Havia, por outro lado, o que alguns chamam de "inflação de ativos", com a disparada do preços de imóveis e ações. Porém, seguindo a tradição dos BCs de só agir em razão da inflação de produtos e serviços, o Federal Reserve (Fed, banco central americano) manteve os juros baixos.Sérgio Werlang, diretor executivo do Itaú-Unibanco, mencionou a possibilidade de se criar um índice separado de preços de ativos, com o qual o BC poderia secundariamente se preocupar, mantendo o foco no índice de inflação tradicional. Já Fraga e Alexandre Schwartsman, economista-chefe do Santander, manifestaram resistência à ideia, enfatizando que o melhor caminho para lidar com bolhas de ativos são as medidas prudenciais em relação ao crescimento do crédito (sempre por trás das bolhas): regras contracíclicas de aumento de capital ou de provisões em momentos de euforia econômica.FRASESMichael WoodfordEconomista americano"O regime de metas (de inflação) não isolou completamente oBrasil da crise"Mario MesquitaDiretor do Banco Central"Há analistas que veem na manutenção das taxas de juros americanas em nível muito baixo, a causa principal da bolha financeira que viria a estourar no segundo semestre de 2008"

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.