REUTERS/Rodolfo Buhrer
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'Meu ministro da Fazenda não será um banqueiro', afirma Haddad

Candidato do Partido dos Trabalhadores também propõe corte em auxílios acima do teto e se diz disposto a discutir capitalização

Elizabeth Lopes e Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

10 Outubro 2018 | 10h58

O candidato do PT à Presidência da República, Fernando Haddad, evitou comentar nesta quarta-feira a investigação do Ministério Público Federal em Brasília contra o guru de seu adversário Jair Bolsonaro (PSL), o economista Paulo Guedes, por suposto envolvimento em fraudes. Haddad disse não ter tomado conhecimento sobre os detalhes da denúncia e, portanto, disse preferir não se pronunciar. "Não li a denúncia, então não posso me manifestar", afirmou Haddad, voltando a detalhar o perfil que espera para seu próprio ministro da Fazenda.

"O que eu posso assegurar é que no Ministério da Fazenda do meu governo não será um banqueiro. Não tem Paulo Guedes, não tem banqueiro no meu governo", prosseguiu. "Na Fazenda tem que ser alguém comprometido com produção e com geração de emprego."

Ao falar da composição de seu ministério, caso seja eleito, Haddad disse também que a ideia de não colocar um banqueiro no ministério da Fazenda tem a finalidade de colocar em execução a reforma bancária, a fim de gerar emprego. "O juro vai baixar, de todo jeito, os bancos vão parar de esfoliar o povo. Meu ministro da Fazenda fará a reforma tributária que cobre dos ricos que não pagam. Meu ministro da Fazenda, ao contrário do Paulo Guedes, lá do Bolsonaro, não vai ser banqueiro, será comprometido com a população, vai respeitar os nordestino, as mulheres, a diversidade racial do Brasil e os direitos sociais e trabalhistas."

Questionado sobre seu próprio perfil, Haddad disse que é conhecido "como uma pessoa de grande moderação". "Sou amante da liberdade, mas passamos do limite da desigualdade, afirmou.

Reforma da Previdência

Disposto a negociar pontos de uma reforma da Previdência para atrair aliados no segundo turno da eleição presidencial, o candidato ao Planalto Fernando Haddad (PT) declarou, nesta quarta-feira, que o foco da proposta visa a eliminar privilégios acima do teto constitucional. O petista se disse disposto, inclusive, a sentar com Ciro Gomes (PDT) para negociar pontos como a sugestão do pedetista de adotar um sistema de capitalização para aposentadorias acima do teto.

"Todos os auxílios que extrapolam o teto vão ter que ser cortados, o teto constitucional vai ter que ser respeitado", disse o candidato. "O teto (do INSS) foi uma iniciativa nossa e foi a maior reforma já feita no País." Para o petista, "muitas variáveis vão ter que ser discutidas".

Sobre o regime de capitalização, Haddad afirmou estar à disposição para negociar. "Nós estamos absolutamente dispostos a sentar com ele (Ciro Gomes) para estabelecer um acordo programático." Democracia e direitos sociais são os pontos que a coligação não abre mão nos ajustes do plano de governo, enfatizou.

A proposta de Haddad é se concentrar, em um primeiro momento, nos regimes próprios de Estados e municípios, ou seja, na aposentadoria de servidores de governos estaduais e das prefeituras.

Haddad citou que está "debruçado" sobre as contas de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, Estados em que o PT não tem palanques no segundo turno da eleição. "Sei que vamos precisar sentar com esses governadores e com o quadro de servidores para rever o quadro de aposentadoria", disse o presideciável.

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