Reuters
Reuters

México inicia campanha contra corrupção com o pé errado

Ministro que apura uma suposta compra ilegal de imóveis, por parte do presidente mexicano, não consegue investigar contratos que estão no centro do escândalo, levantando dúvidas sobre a seriedade da investigação anunciada pelo próprio Enrique Peña Nieto

Economist.com

06 Fevereiro 2015 | 16h42

CIDADE DO MÉXICO - A decisão do presidente Enrique Peña Nieto de expor a si mesmo, sua mulher e o ministro das finanças a uma investigação envolvendo alegações de conflito de interesses infelizmente começou de maneira conturbada. O ministro do governo nomeado para liderar a investigação disse no dia 4 de fevereiro que não conseguiu investigar os contratos de hipoteca que estão no centro do escândalo, levantando dúvidas quanto à seriedade da iniciativa.

Nos meses mais recentes, Peña foi envolvido em alegações segundo as quais ele e a mulher, bem como o ministro das finanças, Luis Videgaray, compraram imóveis usando crédito de sócios de uma empresa de construção escolhida como responsável por numerosos projetos do governo. Os três negam irregularidades. Mas os contratos hipotecários não foram trazidos ao público, e Peña reconheceu ao anunciar a investigação no dia 3 de fevereiro que havia suspeitas de irregularidades que ele gostaria de esclarecer.

Virgilio Andrade, nomeado por ele como ministro da administração pública e encarregado de comandar a investigação, disse um dia mais tarde que sua agência não tinha autoridade para investigar os contratos de hipoteca nem os três indivíduos porque eles não ocupavam esses cargos quando os acordos foram feitos. Seu único foco era a probidade dos contratos governamentais posteriores concedidos à empresa de construção Grup Higa.

Alguns acusaram Peña de agir com cinismo ao anunciar com grande estardalhaço uma investigação sabendo que seu alcance seria limitado. Também é comentado abertamente que Andrade deve o emprego a Peña, e diz ser amigo pessoal de Videgaray, o que leva a suspeitas quanto à sua independência. Representantes do governo dizem que Andrade pode recorrer a instituições mais autônomas do governo, como o auditor geral ou a agência de combate à corrupção, a ser criada em breve, para expandir a investigação. Uma comissão de especialistas vai verificar os resultados. Mas o impulso de Peña no combate à corrupção, tentativa tardia de deter sua queda de popularidade, começou com o pé errado.

© 2015 The Economist Newspaper Limited. Todos os direitos reservados.

Da Economist.com, traduzido por Augusto Calil, publicado sob licença. O artigo original, em inglês, pode ser encontrado no site www.economist.com 

Mais conteúdo sobre:
theeconomist méxico

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.