México interrompe inesperadamente negociações bilaterais

Pressionado pelo setor privado, o México decidiu interromper todas as negociações bilaterais que vinha estabelecendo com alguns países, entre eles o Brasil, Argentina, Peru, Paraguai, Panamá, Equador, Trinidad e Tobago, Cingapura e Belize, com os quais o governo mexicano já havia iniciado a fase preliminar de conversações. Outras nações que haviam manifestado intenção de criar áreas de livre comércio com o México, como a Coréia do Sul, Austrália, Tailândia e Nova Zelândia, também vão ficar fora desses projetos.A informação foi confirmada hoje pela Embaixada do México em Brasília. "Tanto o governo como o setor privado mexicano acertaram suspender essas negociações", disse uma fonte da Embaixada mexicana à Agência Estado. Esta semana, o ministro de Economia, Fernando Canales, havia manifestado a intenção do governo durante o Foro de Negócios México-Dinamarca, realizado na Cidade do México. Canales declarara que, uma vez finalizada as negociações de um acordo de livre comércio com o Japão, caso este se concretize de forma favorável para o país, todas as restantes estariam automaticamente suspensas.MercosulIsso significa que as conversações que o México vinha realizando com Mercosul, bloco com o qual chegou a assinar um acordo de complementação econômica (ACE) em julho do ano passado e um compromisso para chegar a uma área de livre comércio, também ficarão interrompidas. No caso do Brasil, o ACE continuará seu curso, já que as listas de produtos dos dois países que entrarão neste acordo serão apresentadas até janeiro de 2004. O México considera que os acordos que tem com 32 países, entre eles Estados Unidos e Canadá no âmbito do Nafta (Área de Livre Comércio da América do Norte) e com União Européia e o Chile, são suficientes para a atual etapa de desenvolvimento do país.Negócios com Estados Unidos e CanadáVale lembrar que, atualmente, os Estados Unidos e o Canadá absorvem hoje mais de 90% das exportações totais do México, o que se transformou em uma verdadeira armadilha para a economia mexicana. Para sair dela, o México negociou acordos de livre comércio com 32 países e a estimativa é que, em dez anos, esses acordos bilaterais possam gerar pelo menos 800 milhões de potenciais consumidores para os produtos mexicanos. O governo mexicano deixou claro, no entanto, que continuará trabalhando nas negociações no âmbito da Alca.

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