México mostra que integração comercial é positiva

O Brasil deve olhar a experiência do México em seu processo de integração com os vizinhos do Norte e extrair os pontos positivos das mudanças que possibilitaram um grande aumento no comércio internacional do país. O alerta foi feito hoje pelo professor Alberto Pfeifer, diretor executivo do Conselho de Empresários da América Latina, durante o seminário "Mercosul e Nafta: Lições de Integração e Possibilidades de Cooperação". Segundo Pfeifer, a preocupação de empresários mexicanos com possíveis impactos que o ingresso do país no Nafta (Área de Livre Comércio da América do Norte) teria sobre o parque industrial e sobre o nível de empregos não se confirmou. Ao contrário. Em 1988, por exemplo, o Brasil exportou US$ 34 bi, e o México US$ 30 bi. No ano passado, quando o Nafta já era um bloco consolidado, o México vendeu ao Exterior US$ 166 mi, enquanto o Brasil exportou US$ 56 bi. E o mais importante, de acordo com Pfeifer, é que a taxa de desemprego está em apenas 2,5%. Pulo do gato - "O México realizou uma profunda alteração em seu modelo econômico bastante fechado e instável, com inflação alta, passando a privilegiar um modelo industrial voltado para as exportações. E o pulo do gato foi a coordenação de uma estratégia de inserção internacional moldada no diálogo entre governo e empresários", disse Pfeifer. A força motriz dessa coordenação foi a criação do Conselho Mexicano de Comércio Exterior, para negociar o Nafta, mas que mantém forte participação nas negociações internacionais. O desafio pelo qual o México passou é o mesmo que o Brasil pode vir a enfrentar com a formação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), em que se unem, ao mesmo tempo, os processos de globalização e regionalização. A solução encontrada pelo México foi vincular formalmente sua economia a dos EUA, o que diminuiu o risco para investimentos externos e permitiu o aumento das exportações para aquele país - 85% das exportações mexicanas foram para os Estados Unidos no ano passado. Mas ao mesmo tempo, o México assinou acordos de livre comércio bilaterais com 28 países para limitar sua dependência dos Estados Unidos. Segundo o professor Alberto Pfeifer, diretor executivo do Conselho de Empresários da América Latina, é óbvio que a posição geográfica do Brasil favorece o comércio com países cujas economias estão longe do potencial da América do Norte. Na avaliação de Pfeifer, entretanto, o Brasil precisa de uma política de promoção comercial no Exterior, precisa que os próprios empresários saiam em busca de outros mercados e precisa acabar com a imagem negativa que o mundo tem sobre o País para aproveitas as oportunidades de negócios em todas as partes do mundo, de América Latina a África, passando por Oriente Médio, Ásia, Europa e América do Norte.

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