México sobretaxa aço de empresas brasileiras

O México determinou ontem a aplicação de sobretaxas antidumping contra as vigas de aço provenientes de três companhias siderúrgicas brasileiras - o grupo Gerdau, a Belgo-Mineira e a Barra Mansa. Apesar de atingir menos de 2% dos embarques de produtos siderúrgicos do Brasil para aquele país, o Itamaraty considerou a iniciativa mexicana como "perigosa", por reforçar as suspeitas de que o país pretende acompanhar a ameaça protecionista deflagrada pelos Estados Unidos.Com a decisão do governo mexicano, as vigas exportadas pela Gerdau serão sobretaxadas em 72,6%. O produto fabricado pela Belgo-Mineira será punido com uma alíquota adicional de 68,5%, e o da Barra Mansa, de 80,0%. Atualmente, a tarifa de importação aplicada pelo México aos itens do setor siderúrgico alcança 20% para os países da Associação Latino-Americana de Integração (Aladi), do qual o Brasil é membro.Como essa medida antidumping é preventiva, as empresas terão um prazo de 30 dias para apresentar suas peças de defesa. Caso seus argumentos venham a ser acatados, as sobretaxas deverão ser suspensas, e os recursos arrecadados com as sobretaxas tenderão a ser devolvidos aos importadores. O fluxo comercial, então, será reativado. A rigor, os embarques desses produtos, destinados à construção civil, não chegam a pesar na balança comercial do País. No ano passado, o Brasil exportou US$ 102 milhões em produtos siderúrgicos para o México, dos quais apenas US$ 1,8 milhão em vigas.Por enquanto, o Itamaraty considera que não há elementos suficientes para uma reclamação formal ao governo mexicano ou mesmo à Organização Mundial do Comércio (OMC). Conforme informou uma fonte que acompanha o tema, o processo de investigação, iniciado em julho de 2001, aparentemente cumpriu os padrões recomendados pela OMC. Entretanto, a iniciativa mexicana causou estranheza ao governo brasileiro, e novos movimentos desse país na área comercial deverão ser acompanhados com cuidado.Na avaliação de especialistas do Itamaraty, o México está adotando a medida como prevenção a uma possível proteção dos Estados Unidos a seu setor siderúrgico. No próximo dia 6 de março, o presidente americano, George W. Bush, deverá decidir se serão aplicadas medidas de salvaguardas ao aço. Essa iniciativa praticamente fecharia as fronteiras americanas à importação do produto, inclusive os do Brasil.Para o Itamaraty, o governo mexicano deduziu que essa medida levará os atuais fornecedores de aço ao mercado americano a buscar novos "clientes". Seu mercado, dentro dessa lógica, seria um dos favoritos.Daí as investigações de dumping e outras iniciativas. A diplomacia brasileira vem observando uma tendência de proteção à siderurgia do México desde o ano passado. Em setembro, o governo elevou de 13% para 25% a tarifa de importação aplicada sobre o aço. Para os produtos dos países da Aladi, as alíquotas aumentaram de 10,4% para 13,0%.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.