‘Michelle Obama chinesa’ usa iPhone 5 e sacode patriotismo comunista

Peng Liyuan provocou furor nas redes sociais chinesas ou usar um iPhone, e não um Huawei ou um ZTE

O Estado de S.Paulo,

10 de junho de 2013 | 16h21

SÃO PAULO - A fotogênica primeira-dama da China, Peng Liyuan, fez sucesso na sua visita ao México, onde foi chamada de 'Michelle Obama da China'. Mas ela jogou por terra sua imagem de carismática e alinhada ao tirar uma foto das ruínas maias com seu novo aparelho celular, um iPhone da Apple.

Quase todos os turistas tiram fotos com iPhones o tempo todo, e qualquer primeira dama poderia ter feito o mesmo, menos ela, por representar o gigante país asiático com suas regras muito especiais.

Em teoria, não havia nada marcante na cena, destacou o jornal espanhol El País: discretamente vestida ao lado do marido Xi Jinping, Peng tira uma foto. Não há nada fora do lugar, mas os internautas chineses foram rápidos em olhar para uma coisa: o aparelho é um iPhone 5.

 

A primeira dama chinesa tira foto das pirâmides maias com um celular da 'imperialista do mal' (Reuters)

Em pouco tempo, ficou claro que o patriotismo chinês é algo que o governo não pode descuidar nem por um segundo. "Não estamos de acordo que a Apple é uma empresa imperialista mal?", ironizou um usuário do Weibo, o equivalente chinês ao Twitter.

Em pouco tempo, muitos outros internautas fizeram referências à campanha contra a Apple lançada pelos grandes meios de comunicação estatais do governo chinês, incluindo a rede de televisão CCTV e Diário do Povo.

Sob o comando direto do Partido Comunista, os meios estatais chineses criticaram a Apple por oferecer garantia menor aos clientes chineses do que para os dos demais mercados. O próprio CEO da Apple, Tim Cook, pediu desculpas publicamente.

A foto abalou a imagem de Peng, que antes de viajar foi ovacionada pela disposição de desfilar roupas chinesas em sua primeira turnê estrangeira.

Agora, muitos se perguntam porque ela não fez o mesmo com os smartphones chineses, de marcas como a Huawei e a ZTE, que competem globalmente e estão entre as cinco marcas mais vendidas no mundo. "O uso pela primeira-dama poderia abrir caminho para as nossas empresas", reclamou outro internauta.

Mas a preocupação não é apenas nacionalista. "Agora que a Apple tem mostrado que está envolvida na rede de espionagem Prism (programa que permite a coleta de dados de internet em escala gigantesca), é seguro a esposa do presidente usar um telefone da Apple?", perguntou o repórter do jornal El País a um internauta chinês na rede Weibo. "Eu me preocupo que podem rastrear seus movimentos via GPS", o internauta respondeu.

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