Mico na nota de R$ 20 causa constrangimento

O desenho do mico-leão dourado impresso na nova nota de R$ 20 provocou certo constrangimento no governo, numa época de alta do dólar. Na platéia, o lançamento das notas amarelinhas e mais seguras contra falsificações foi interpretado pela platéia como o "mico" do dia. Ciente de que a palavra significa, em linguagem popular, a pior ou mais embaraçosa situação, o ministro da Fazenda, Pedro Malan, inocentou sua equipe da paternidade da idéia de imprimir a figura do animal nas notas."Quero acentuar que essa escolha não foi do ministro da Fazenda, do Banco Central nem da chamada equipe econômica. A escolha foi feita a partir de uma consulta popular. As pessoas se expressaram em favor do mico-leão dourado, assim como optaram pela tartaruga-marinha para a nota de R$ 2", afirmou Malan.A consulta pública foi sugerida ao Banco Central pela WWF, organização não-governamental dedicada à preservação do meio ambiente. Hoje, durante o lançamento da nota de R$ 20, o presidente Fernando Henrique Cardoso também assinou o documento que prevê a criação da Área de Proteção Ambiental da Bacia do Rio São João, que engloba seis municípios do Rio de Janeiro e será a base para os trabalhos de preservação dos mico-leões dourados.O presidente Fernando Henrique Cardoso enfatizou também o "processo democrático" de escolha do desenho que ilustra a cédula. Lembrou que, no início do Plano Real, as figuras impressas eram de peixes porque já estavam prontas na gráfica da Casa da Moeda. Recordou ainda que o então presidente, Itamar Franco, disse não gostar de um dos animais porque não trazia boa sorte para ele. "Eu respondi: o que temos aqui é isso. Eu não tenho essas superstições", relatou Fernando Henrique, que era o ministro da Fazenda de Itamar na época do lançamento do real.A impressão da nova nota, segundo Malan, segue novos métodos de segurança. A cédula é cortada, por exemplo, por uma faixa holográfica. O ministro, entretanto, ressalvou que a preocupação com a possibilidade de falsificação das notas brasileiras tornou-se mais acentuada nos últimos anos, com o controle da inflação. "Com uma inflação a 30% ou 40% ao mês, não havia estímulo à falsificação. Hoje, essa preocupação existe", explicou.No final da cerimônia de lançamento, o presidente recebeu do ministro da Fazenda duas notas novas, uma de R$ 20 e outra de R$ 2, cujos números de registro são 010794 - uma alusão a 1º de junho de 1994, a data de lançamento do Plano Real. Cobrado em público, o presidente preferiu dar o calote no seu ministro. "O senhor me deve R$ 22", disse Malan. "Eu devo, mas não vou pagar. Será que a comissão de ética permite? Eu não vou pagar", insistiu Fernando Henrique.

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