Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Micro e pequena empresa reverte perda de empregos por pandemia e gera 293,2 mil novos postos

Enquanto isso, as médias e grandes empresas foram na direção contrária e encerraram 193,6 mil vagas; presidente do Sebrae diz que tem negociado com o governo soluções para ajudar os micro e pequenos

Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo

02 de fevereiro de 2021 | 08h00

As micro e pequenas empresas (MPE) conseguiram reverter a perda de empregos por conta da pandemia, sendo ainda as únicas a fecharem 2020, marcado pela covid-19, com saldo positivo no País. No vermelho até outubro, esses negócios inverteram o prumo e geraram 293,2 mil novos empregos no ano passado, mostra estudo do Sebrae obtido com exclusividade pelo Estadão/Broadcast, e feito a partir de dados do Ministério da Economia.

Por sua vez, as médias e grandes empresas (MGE) caminharam na direção contrária e encerraram 193,6 mil postos de trabalho em 2020. Apoiado nos pequenos negócios, mostra o estudo do Sebrae, o Brasil gerou 142,7 mil empregos no ano passado.

De acordo com o presidente do Sebrae, Carlos Melles, a reação das micro e pequenas empresas já era esperada, considerando outras crises. "Nós já verificamos, em outros anos, que os pequenos negócios são os que reagem mais rapidamente a uma situação de crise, retomando a geração de novos postos de trabalho", afirma, em nota ao Estadão/Broadcast.

Ele diz que o Sebrae tem negociado com o governo federal e com o Congresso no intuito de encontrar soluções para manter o socorro a pequenos empreendedores uma vez que a pandemia não acabou, e os negócios ainda seguem com faturamento comprometido frente ao patamar pré-crise. Uma das saídas, afirma, é um remédio já usado no ano passado: crédito.

"Continuamos em busca de uma solução para o problema do crédito - com a aprovação do projeto de Lei que torna o Pronampe uma medida permanente - e estamos negociando pela extensão de medidas voltadas à manutenção do emprego", detalha o presidente do Sebrae.

No mês de dezembro, as micro e pequenas empresas foram o motor da geração de empregos no Brasil pela sexta vez seguida. Somados, os pequenos negócios criaram 22.731 postos de trabalho no período a despeito da pandemia. Segundo o Sebrae, os pequenos negócios foram os únicos a gerar empregos nesse último mês do ano, uma vez que as médias e grandes empresas mais demitiram do que contrataram no período. Como resultado, o Brasil perdeu 67,9 mil empregos em dezembro, mês importante para o comércio por conta das festas de fim de ano.

No detalhe

Na análise por segmento, os pequenos negócios da construção civil foram responsáveis pela maior geração de empregos em 2020. Foram 136,5 mil novos postos, equivalente a 46,6% do total no ano. Na sequência, as micro e pequenas empresas do setor de serviços criaram quase 51 mil vagas em 2020.

Na contramão, as médias e grandes empresas, conforme estudo do Sebrae, só registraram saldo positivo de empregos na indústria de transformação, com 13 mil novas vagas.

Já na divisão por estados, Roraima liderou o ranking anual, com a proporção de 107,5 empregados por 1.000 empregos na região. Pará aparece em segundo lugar, com 79,01 postos por 1.000 trabalhadores.

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