Micro e pequenas empresas faturam menos no 1º trimestre

As pequenas e micro empresas faturaram menos no primeiro trimestre de 2006, tomando como base o mesmo período do ano passado. A afirmação é feita com base na pesquisa divulgada nesta quarta-feira pela Sebrae de São Paulo, que apontou queda de 1,4% nos ganhos do setor. "Na média, os primeiros três meses do ano expressam um empate técnico com 2005, porém, com desempenhos diferenciados por setores", comentou, em comunicado à imprensa, coordenador do Departamento de Pesquisas Econômicas do Sebrae-SP, economista Marco Aurélio Bedê.Contudo, na comparação entre março e fevereiro, o faturamento das micro e pequenas empresas cresceu 6,9% em março. Apesar da alta, na comparação com o mesmo período do ano passado, os ganhos recuaram em 3,7%. Em reais, foram acumulados R$ 19,3 bilhões no mês, o que representou R$ 1,2 bilhão a mais do que no final de fevereiro e um valor R$ 735 milhões menor que o de março do ano passado.Na avaliação de Bedê, o crescimento sobre fevereiro foi motivado, principalmente, pelo maior número de dias úteis. Já a queda sobre março de 2005 foi provocada, em grande parte, pelo fato de a Páscoa ter sido comemorada neste ano no mês de abril, enquanto, em 2005, foi em março. Segundo o diretor-superintendente da instituição, José Luiz Ricca, os sinais da economia apontam para uma tendência de melhora, porém, nos primeiros três meses do ano, o desempenho das MPEs ficou "abaixo das expectativas iniciais dos empresários". Para Ricca, a velocidade da recuperação dependerá da "evolução do poder aquisitivo da população, da continuidade das reduções das taxas de juros na economia e da expansão da oferta de crédito".SetoresNa análise por setor, o estudo constatou que o destaque de março foi a Indústria, com crescimento no faturamento real de 4,7% sobre fevereiro, queda de 3,8% ante março de 2005 e aumento de 2,9%, na comparação entre o primeiro trimestre de 2006 e o mesmo período do ano passado. Já o setor de Serviços e o Comércio tiveram desempenhos um pouco menos animadores, principalmente no trimestre, quando apresentaram quedas de 0,6% e 3,3%, respectivamente.Quanto aos números de março, Serviços contou com aumento de 3,2% no faturamento real ante fevereiro de 2006 e redução de 3,6% sobre março de 2005. Já o Comércio apresentou crescimento expressivo de 9,7% ante fevereiro, mas diminuição de 3,5% sobre o mesmo mês do ano passado.De acordo com o Sebrae-SP, as quedas verificadas em Comércio e Serviços são explicadas, principalmente, pelo fator calendário (Páscoa em abril deste ano). Já nas pequenas indústrias, foram apontados como motivos de recuperação do setor: as recentes quedas na taxa básica de juros (Selic, atualmente em 15,75% ao ano), a maior oferta de crédito e o aquecimento das grandes empresas do setor - que requerem bens intermediários, produzidos pelas MPEs, como peças e componentes.SaláriosO gasto médio real do setor com a folha de salários apresentou, em março, alta de 4,2% em relação a fevereiro de 2006 e de 3,9% sobre março de 2005. Segundo a pesquisa do Sebrae-SP, as MPEs gastam, em média, R$ 1.899 com os funcionários por mês, excluindo-se a remuneração por serviços prestados recebida por sócios-proprietários e familiares.A pesquisa foi realizada pelo Sebrae-SP, em parceria com a Fundação Seade, com uma amostra de 2.703 empresas de micro e pequeno porte de um universo de 1,3 milhão existente no Estado. De acordo com o Sebrae-SP, 57% deste universo é formado por empresas do Comércio, 32% por Serviços e 11% por companhias do setor industrial.

Agencia Estado,

10 de maio de 2006 | 16h47

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