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Micro e pequenas empresas, o amortecedor do desemprego

As micro e pequenas empresas são um "colchão" amortecedor do desemprego no País. Esta é a conclusão de pesquisa divulgada esta manhã pelo IBGE. Segundo a pesquisa, os negócios desse porte "são uma alternativa de ocupação para uma pequena parcela da população que tem condição de desenvolver seu próprio negócio, e uma alternativa de emprego formal ou informal, para uma grande parcela da força de trabalho excedente, em geral com pouca qualificação, que não encontra emprego nas empresas de maio porte". A participação das micro e pequenas empresas na geração da receita total do segmento de comércio e serviços no País subiu de 19% em 1985 para 22,3% em 2001. A principal mudança ocorreu, entretanto, na geração de postos de trabalho. Enquanto em 1985 as micro e pequenas empresas ocupavam 3,5 milhões de pessoas, ou 50,7% da população ocupada nos negócios de comércio e serviços, em 2001 o número de ocupados dobrou para 7,3 milhões de pessoas, ou 60,8% da mão-de-obra ocupada nessas atividades. Os negócios dos segmentos de comércio e serviços representam cerca de 80% da atividade total das micro e pequenas empresas no País, segundo o Estudo Especial sobre Micro e Pequenas Empresas, relativo ao ano de 2001. O levantamento traça um perfil de 2 milhões de empresas de pequeno porte de comércio e serviços, que empregavam 7,3 milhoes de pessoas no ano pesquisado, ou 9,7% da população ocupada. FaturamentoA pesquisa revela que o faturamento total dessas empresas atingiu R$ 168,2 bilhões em 2001, ante R$ 154,2 bilhões em 1998. Segundo o levantamento, o crescimento médio real do faturamento desses negócios, de 1998 a 2001, foi de 2,9% ao ano. As médias e grandes empresas desses segmentos tiveram um crescimento médio similar no período, de 3%. Ainda de acordo com a pesquisa, 75,1% das micro e pequenas empresas ocupavam até cinco pessoas, incluindo proprietários e membros da família em 2001; 21,5% ocupavam de seis a 19 pessoas e apenas 3,4% empregavam 20 pessoas ou mais. Outra informação é que, no caso do segmento de comércio, 86,4% das micro e pequenas empresas ocupavam até cinco pessoas. A situação era diferente no segmento de serviços, no qual 57,3% das empresas ocupavam até cinco pessoas. Comércio tradicionalA análise mostra que o comércio varejista predominava com 93% das empresas do segmento comercial. No segmento varejista se destacavam, em 2001, as micro e pequenas empresas que comercializavam produtos alimentícios, que respondiam por 31,5% das empresas desse porte do varejo comercial, além de 28,9% da mão-de-obra ocupada e 21,7% da receita. De acordo com o IBGE, essas empresas representam o comércio tradicional, na maioria de balcão, incluindo quitandas, mercearias, empórios, armazéns, padarias, açougues e peixarias, que resistem ao crescimento dos hipermercados. "O pequeno comércio ainda tem uma presença marcante nas cidades do interior e nas localidades de baixa renda e representam uma opção rápida e barata para o atendimento das necessidades básicas dos consumidores", observa a pesquisa. Outros segmentos que apresentam forte presença nas micro e pequenas empresas do varejo, segundo o IBGE, são negócios de tecidos e vestuário, lojas de bijuterias, relojoarias e material de construção. As empresas do comércio de combustíveis representavam apenas 1,2% do total de micro e pequenas empresas do segmento comercial varejista em 2001, mas respondiam por 11,2% do faturamento. Setor de alimentaçãoNo caso do setor de serviços, a análise revelou que predominam os serviços de alimentação, que em 2001 correspondiam a 32,8% do número de empresas de micro e pequeno porte do setor, além de 30,5% da ocupação e 20,8% do faturamento. O segmento é constituído, segundo a pesquisa, por bares, lanchonetes, pequenos restaurantes, pastelarias, pizzarias e sorveterias. Ainda na estrutura do setor de serviços, destacaram-se também as micro e pequenas empresas de "serviços prestados às empresas", com a maior participação no faturamento (27,8%). Nesse caso, os serviços são técnico-profissionais, como contabilidade, consultoria empresarial e publicidade e propaganda. Segundo a pesquisa do IBGE, nos setores de comércio e serviços há preferência do pequeno investidor pelo ramo de alimentação, por causa da boa perspectiva de mercado, já que tende a acompanhar o crescimento populacional; maior perspectiva de retorno do investimento a curto prazo, já que atende às necessidades básicas da população e, ainda, utilização de mão-de-obra barata e não qualificada. RemuneraçãoEnquanto as micro e pequenas empresas de comércio e serviços ocupavam em média por empresa 3,6 pessoas em 2001, os grandes e médios negócios empregavam 92,2 pessoas. Havia também uma diferença significativa entre a remuneração média dos trabalhadores nas micro e pequenas (1,7 salário mínimo mensal) e nas médias e grandes (4,3 salários mínimos/mês). No entanto, ainda de acordo com a pesquisa, de 1998 a 2001 o número de ocupados nas micro e pequenas cresceu em média 9,7% ao ano, enquanto nas empresas de médio e grande porte a expansão média anual foi bem menor, de 2,9%. RegiõesAs micro e pequenas empresas dos setores de comércio e serviços estavam na maior parte (55,5%) na região Sudeste em 2001. Em seguida vêm as regiões Sul (22,4%), Nordeste (14,3%), Centro-Oeste (6,5%) e Norte (1,3%). De acordo com o diagnóstico do IBGE, as micro e pequenas empresas acompanham a tendência dos médios e grandes negócios e, escolhendo o Sudeste, beneficiam-se de maiores mercados, melhor infra-estrutura urbana, mão-de-obra mais qualificada e maior mercado consumidor, já que a região concentra 43% da população do País. "Em muitos casos as micro e pequenas empresas são estabelecidas a partir de uma relação de complementaridade e dependência com as médias e grandes empresas, na medida em que ocupam espaços não explorados por elas, ou atuam como fornecedoras de matérias-primas ou serviços", diz o estudo.

Agencia Estado,

11 de setembro de 2003 | 10h44

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