Microcrédito só atende 2% da demanda no Brasil, diz estudo

Só 2% da demanda por microcrédito está atendida no Brasil, segundo uma pesquisa da consultoria americana Development Alternatives Inc.(DAI), encomendada no âmbito do convênio do BNDES com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para microfinanças. A informação foi dada por Lara Goldmark, da DAI. "A região brasileira mais atendida é o Nordeste, com 5%", disse a especialista.A DAI estima que haja 16,4 milhões de microempreendedores no Brasil, dos quais 8,2 milhões teriam condições e interesse em fazer operações de microcrédito. No entanto, os empreendedores atendidos pelas cerca de 120 instituições de microcréditos, entre sociedades de crédito ao microempreendedor, ONGs e cooperativas, que atuam no Brasil, são em torno de 165 mil. "É por causa dessa demanda não atendida que o BNDES estimula a multiplicação dessas instituições e o fortalecimento delas, que precisam ser profissionais e auto-sustentáveis", disse a diretora da área social do BNDES, Beatriz Azeredo. Programa de Desenvolvimento Institucional (PDI) do convênio BNDES-BID se destina a fortalecer esse tipo de instituição pela discussão, adaptação e divulgação de metodologias para microfinanças. O encontro de hoje e amanhã será aproveitado para a elaboração da versão final de um conjunto de manuais de microfinanças. Eles tratam de temas como marketing, auditoria, sistemas de informações gerenciais e regulamentação e técnicas de gestão de microempresas e serão lançado em setembro no V Fórum de Microempresas, que será realizado no Riocentro, e onde se participantes de todo o mundo. "A gente está tratando de um mercado que não é foco do sistema financeiro. É difícil dar crédito onde não há instrumentos tradicionais de crédito como garantia real ou comprovante de renda. Por isso, é que o desenvolvimento e a divulgação de metodologia própria para microfinanças é importante", explicou a diretora. "Essa é uma indústria nascente e têm que se investir bastante para que cresça de forma sustentável", afirmou. No PDI, os recursos são investidos a fundo perdido. Além disso, o BNDES tem um Programa de Crédito Produtivo Popular, que empresta a instituições de microcrédito. No PCPP, o BNDES trabalha com 32 instituições e já aprovou R$ 58 milhões. O valor médio do crédito para o microempreendedor é de R$ 1.155, com prazo médio de 5,1 meses e encargos de 4,6% ao mês. O tempo médio de atendimento é de seis dias e o atraso maior que 30 dias atinge 4,3% das operações. Beatriz Azeredo e o integrante da missão do BID no Brasil, Roberto Correia Lima, confirmaram que BNDES e BID estão negociando a renovação do convênio de US$ 5 milhões desde 1999 que criou o PDI e termina este ano.

Agencia Estado,

18 de julho de 2002 | 14h09

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