Micros e pequenas estão despreparadas para competir

O Sebrae reconheceu hoje que as micro e pequenas empresas estão despreparadas para competir com empresas estrangeiras e são frágeis até no mercado doméstico. Para o presidente da entidade, Silvano Gianni, é necessário um tratamento diferenciado para o segmento em questões como impostos, leis trabalhistas, burocracia e financiamento. "Em outros países, as legislações para micro e pequenas empresas são diferentes", disse Gianni, depois de participar de um simpósio latino-americano em São Paulo.O presidente do Sebrae elogiou a proposta de reforma tributária por ter incluído uma emenda que permitirá dar tratamento diferenciado à estas empresas. Gianni disse que a reforma vai livras as micro e pequenas empresas da "escravidão burocrática e tributária". Para ele, assim que a nova legislação entrar em vigor, estas empresas estarão em melhores condições de competir.O presidente do Sebrae-São Paulo, Alencar Burti, afirmou que o setor não quer doações mas condições melhores para poder competir quando a Alca entrar em vigor. Indagado se, apesar desse despreparo das micro e pequenas, o Sebrae se mostra favorável às negociações da Alca, Burti respondeu: "Se não conseguirmos o desejável, pelo menos podemos conseguir o suportável". Ele disse que a atual carga tributária, a legislação trabalhista, a questão burocrática e o custo do dinheiro são hoje os responsáveis pela "morte" de 32% destas empresas logo no primeiro ano de vida.Já a economista Lia Valls, da Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ) e Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), disse que a Alca não é uma partida de futebol na qual pode se perguntar quem é a favor ou que é contra. "A Alca é um processo bem mais complexo. E é claro que vai ter gente que vai ganhar e vai perder, mas isto faz parte do debate doméstico", disse.

Agencia Estado,

28 de agosto de 2003 | 16h33

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