Microsoft estuda instalar centro de dados no Brasil

Empresa quer oferecer serviços online para pequenas e médias, no formato de computação em nuvem

Renato Cruz,

27 de abril de 2011 | 00h34

O colombiano Orlando Ayala, vice-presidente corporativo da Microsoft, está entusiasmado com o mercado brasileiro. Em visita ao País para participar da versão latino-americana do World Economic Forum, ele disse ontem que o Brasil está no "alto da lista" dos países candidatos a receber um centro de dados da empresa.

"Não quero anunciar que o Brasil já tem um data center, mas o País está no alto da lista", disse o executivo, que também ocupa o cargo de presidente para países emergentes da companhia. "Devemos decidir em três meses. Teremos entre oito e dez data centers em todo o mundo."

A ideia da companhia é oferecer software para pequenas e médias empresas, no formato de computação em nuvem, em que o cliente paga como serviço, conforme a utilização.

"Estudamos construir um data center com capacidade para atender com serviço de muito alta qualidade a todas as pequenas e médias empresas do Cone Sul", afirmou. "O centro seria para a exportação de serviços."

Segundo o executivo, não existem outros países latino-americanos candidatos a receber o centro de dados. Ele preferiu não dizer de quanto seria o investimento, mas disse que, no data center que a empresa acabou de inaugurar em Chicago, foram investidos cerca de US$ 80 milhões.

Ayala afirmou que o Brasil está entre os 10 maiores mercados no mundo para a Microsoft. "É um mercado absolutamente material, e um mercado material para a companhia é de mais de US$ 500 milhões", disse o executivo.

Atualmente, a Microsoft já conta com mil empresas brasileiras, com 100 mil usuários, que utilizam seu software no formato de computação em nuvem. Por enquanto, são atendidas a partir dos Estados Unidos.

Políticas públicas. Durante o World Economic Forum, no Rio, Ayala apresentará sugestões de política pública para incentivar o desenvolvimento econômico por meio da tecnologia. Ele mostrou um gráfico com os países com mais patentes registradas por grupo de mil habitantes, e o Brasil nem aparecia nele. "Onde está o Brasil é uma pergunta coletiva", disse Ayala. "Empresas internacionais como a Microsoft podem ajudar o País a crescer em inovação."

O executivo apontou que existe uma oportunidade para as empresas brasileiras crescerem na exportação de software usado por setores em que o País é referência, como aviação, combustíveis e bancos. "Poderia haver incentivos para direcionar a indústria para essas áreas", disse Ayala, acrescentando que o País tem um bom potencial. A Microsoft realiza uma competição mundial de tecnologia para estudantes chamada Imagine Cup e, segundo o executivo, 40% dos participantes são brasileiros.

Ele considera três pontos importantes para ampliar a exportação de software do Brasil. Um deles seria reforçar a educação em ciência e tecnologia. "A formação de doutores está abaixo do necessário", disse Ayala. "É preciso aumentar a aposta em ciência e tecnologia desde o ensino fundamental."

Outra necessidade do País é reforçar a disponibilidade de capital de risco. "Isso deve melhorar com o interesse internacional que existe hoje pelo Brasil", afirmou. Por fim, ele disse que o governo brasileiro poderia criar fundos de inovação, com participação de capital privado.

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