B Mathur/Reuters
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Microsoft oferece Office na nuvem contra o Google

Empresa amplia oferta de ferramentas corporativas via rede para reduzir preços e evitar a perda de mercado para a concorrência

Steve Lohr / THE NEW YORK TIMES, O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2011 | 00h00

Executivos como Tom Conophy estão provocando aflição - e ação - nos escritórios executivos da Microsoft ultimamente. Conophy, diretor de informática do InterContinental Hotels Group, decidiu no início deste ano começar a tirar todos os 25 mil trabalhadores de escritório da companhia de aplicações de e-mail e de produtividade do Office, da Microsoft, e direcioná-los para alternativas baseadas na internet do Google.

Cerca de 6 mil empregados da empresa de administração de hotéis já mudaram de plataforma até agora, diz Conophy, e as coisas correm bem. Segundo ele, a economia de custos será de milhões de dólares por ano. As ofertas online do Google, diz, melhoraram desde que a empresa ingressou no mercado de negócios, há quatro anos. "Pudemos fazer isso porque os aplicativos em nuvem do Google estão prontos para a competição real", disse Conophy.

Interromper essas predas é uma prioridade na Microsoft. Sua resposta chegou ontem, quando a companhia começou a vender o Office 365, uma versão baseada em nuvem dos programas de e-mail, software de lousa digital colaborativa e programas de processamento de texto, planilha eletrônica e apresentação da Microsoft. A campanha de marketing começou com uma apresentação em Nova York pelo presidente executivo da Microsoft, Steven A. Ballmer.

Como o Google Apps, o novo serviço é rodado na nuvem - remotamente, em centros de processamento de dados - e os usuários baixam programas de um navegador conectado à internet num computador pessoal, tablet ou smartphone.

Para analistas, a muito esperada reação da Microsoft é uma aposta cuidadosamente arquitetada incluindo várias ofertas com preços diferenciados. Eles não estão seguros se ela representa uma estratégia viável. O plano da Microsoft é de abraçar a demanda por ferramentas baseadas na nuvem para trabalhadores de escritório, que promete ser menos dispendiosa para as empresas que o software convencional - além disso, quer evitar a canibalização do negócio, sua maior fonte isolada de lucros.

"Se a Microsoft vacilar, ela realmente abrirá as portas para o Google", disse Matt Cain, um analista da Gartner. "No longo prazo, essa é uma tremenda ameaça para a Microsoft e sua franquia Office". A unidade da Microsoft que inclui a família Office é um negócio de US$ 20 bilhões anuais com margens de lucro antes de impostos de 60%. O negócio é maior até que outro grande produtor de lucro da companhia, o sistema operacional Windows PC.

Reação. O Google retrata a chegada do Office 365 como um endosso, se não uma capitulação. "Isso é um reconhecimento de que nosso negócio é pra valer", disse David Girouard, presidente da divisão de empreendimentos do Google. "Nós realmente ajudamos a mover a agulha no mercado."

A companhia agora apregoa ter mais de 30 milhões de usuários ativos do Google Apps, sua coleção de programas de comunicações e de produtividade de escritórios online. Mas cerca de 12 milhões desses usuários são professores ou estudantes universitários, que tipicamente obtêm acesso gratuito aos aplicativos. O custo padrão para clientes empresariais ou governamentais é de US$ 50 por usuário/ano. O Google não revela quantos consumidores pagam a tarifa.

O National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), agência federal que conduz estudos oceanográficos e climáticos, com 25 mil funcionários, está adotando o Google Apps. Outros incluem o estado de Wyoming, com 10 mil funcionários, e o McClatchy Group, uma cadeia editorial com 8,5 mil funcionários.

Segundo Girouard, as taxas de renovação de assinatura no Google Apps estão acima de 90%, e em companhias maiores são de quase 100%.

Há outras ferramentas de e-mail, produtividade e colaboração para empresas baseadas na nuvem entre as quais ofertas da Zoho, a Zimbra da VMware, a Lotus Live da IBM e a Chatter da Salesforce.com.

Mas os analistas dizem que o Google é o principal rival que a Microsoft tem em mente com o Office 365. "Não há dúvida de que a crescente popularidade do Google Apps forçou a Microsoft a agir", disse Melissa Webster, uma analista da IDC. "Mas a Microsoft está mesmo adotando a nuvem agora. Essa é a medida que faltava."

A US$ 50 por ano, o preço do Google parece mais atraente que o preço padrão pelo software Office PC, de US$ 200 a US$ 400. Os preços do Office 365 vão de US$ 2 a US$ 27 por usuário ao mês. O serviço de US$ 2 por mês inclui apenas e-mail e tem na mira companhias que querem estender as comunicações a empregados que atualmente não estão atendidos, como os operários. A oferta de US$ 27 mensais inclui todos os recursos online, incluindo videoconferências e lousas digitais online para projetos em equipe, e uma licença para a versão mais potente do software de computador pessoal Office.

Uma oferta de US$ 6 visa a estender os serviços de servidor de e-mail e ferramentas de colaboração da Microsoft, como SharePoint, a pequenas empresas. Essas pequenas empresas tipicamente têm o software Office PC, mas não o software afim, segundo analistas. / TRADUÇÃO DE CELSO M. PACIORNIK

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