Midea investe para ampliar presença na América Latina

Midea investe para ampliar presença na América Latina

Multinacional chinesa vai desembolsar US$ 30 milhões nos próximos três anos em operação comercial

Márcia De Chiara, Impresso

23 de janeiro de 2017 | 05h00
Atualizado 03 de fevereiro de 2017 | 18h41

A Midea, multinacional chinesa do setor de eletrodomésticos, deu mais um passo para avançar a sua presença na América Latina. A empresa vai desembolsar US$ 30 milhões nos próximos três anos numa operação comercial para vender seus produtos em 14 países da América Latina e Caribe, entre os quais estão Colômbia, Bolívia, Porto Rico, República Dominicana, Jamaica, por exemplo, onde a empresa não estava. Também vai ampliar a presença no México, onde tem uma pequena operação desde 2011.

"A América Central e o Caribe são mercados que estão numa situação mais favorável economicamente do que o Brasil. Esses mercados para eletrodomésticos cresceram em 2015 e 2016, entre 2% e 5%, e vão crescer em 2017", diz o presidente da empresa para a América Latina, João Claudio Guetter.

A decisão de expandir na região não está relacionada, segundo o executivo, com o fraco desempenho da companhia no Brasil no ano passado. Ele explica que já existia um plano estratégico da empresa para atingir a América Latina inteira. A meta para cinco anos é que as vendas da companhia na América Central e Caribe somem US$ 30 milhões, cerca de 15% a 20% do faturamento da América Latina.

O desempenho da Midea no Brasil, Argentina e Chile no ano passado não foi bom e a divisão da América Latina perdeu participação nas vendas globais da companhia. "Hoje respondemos por mais ou menos 2,5% e 3% do faturamento do grupo e, dois anos atrás respondíamos por 5%", diz Guetter. Em 2015, que é o dado mais atualizado de vendas globais, a empresa faturou US$ 22,17 bilhões, 7,6% a menos do que no ano anterior. Além do recuo do mercado de eletrodomésticos nesses países nesses três países, a desvalorização do peso e do real em relação ao dólar contribuiu para reduzir a fatia da região.

Apesar do recuo nas vendas de eletrodomésticos no Brasil, o presidente da empresa no País, Felipe Costa, diz que a retração registrada pela companhia foi menor do que a média do mercado. No caso dos aparelhos de ar condicionado residenciais, que são produzidos na fábrica de Manaus (AM), o mercado encolheu 35% no ano passado e a empresa teve uma queda menor do que 30% nas mesmas bases de comparação. "Nos outros mercados, ficamos estáveis porque fomos conservadores na introdução de novos produtos."

Além de aparelho de ar condicionado e forno de micro-ondas fabricados localmente, este último em Manaus (AM), a empresa importa da China refrigeradores, lavadoras, cooktops, secadoras e eletroportáteis para vender no País. Nesses segmentos, Costa calcula que as vendas do mercado tenham recuado 20% no ano passado e considera uma vitória empresa ter se mantido estável. "Usamos 2016 para arrumar a casa, fizemos uma grande reestruturação", Costa. Ele explica que a empresa quer estar preparada para quando o mercado de eletrodomésticos voltar a crescer.

Para este ano, acautela ainda predomina. O presidente para a operação brasileira diz que as variáveis macroeconômicas disponíveis no momento apontam para uma visão mais conservadora, na qual o mercado de eletrodomésticos deve se estabilizar. "Com essa estabilização do mercado, nosso plano é crescer em 2017", prevê o executivo. Ele lembra que o plano estratégico para o Brasil, que representa 50% do mercado de eletrodomésticos da América Latina, é em cinco anos é estar entre as principais marcas de eletrodomésticos.

Mabe. O pulo do gato para a companhia ampliar as vendas num mercado estável inclui trazer novas linhas de produtos importados e conquistar fatias mercado deixadas pela saída de concorrentes.

Em fevereiro do ano passado, a Justiça decretou a falência da mexicana Mabe, que produzia fogões, geladeiras e lavadoras nas fábricas de Campinas (SP) e Hortolândia (SP). Costa diz que dentro do plano de expansão da empresa para os próximos cinco anos não está descartada a compra das fábricas da Mabe.

"Não temos uma definição, mas estamos avaliando todas as possibilidades dentro desse plano de expansão: começar um fábrica do zero, comprar uma pronta ou otimizar a produção das existentes." No momento, a ociosidade é da ordem de 50% nas duas fábricas do grupo em Manaus (AM) e Canoas (RS), onde são fabricados a linha de climatização comercial.

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