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Mídia acelera planos para atrair capital, diz Financial Times

O jornal britânico Financial Times informa que os grupos de mídia do Brasil em busca de caixa vêm elaborando rapidamente planos para atrair capital, após a reforma constitucional na semana passada ter atenuado as restrições ao investimento no setor. A emenda constitucional que permite a participação de até 30% de capital estrangeiro em grupos de mídia brasileiros deverá ainda ser regulamentada por lei complementar. O grupo Abril confirmou ontem que prevê uma nova injeção de capital em breve, disse o jornal britânico. "Estamos no meio da adaptação de nossa estrutura acionária. Outros grupos estão fazendo o mesmo, em preparação a uma abertura de capital", disse Cleide Castellan, diretora corporativa da Abril em São Paulo ao FT.Empresas familiares, que podem relutar em ficar expostas à vigilância dos mercados financeiros, talvez busquem investidores acionários privados em vez de abrirem seu capital, afirma o FT. "Estamos de olho em investidores domésticos, porém isso não envolve ir para o mercado", disse Paulo Cabral, presidente do Correio Brasiliense. "Todos os grupos de mídia no Brasil, sem exceção, precisam de financiamento, mas essas negociações levam tempo", afirmou Cabral ao FT. Investidores em potencial podem ficar desencorajados com o volume da dívida, que no caso da Abril totalizou R$ 870 milhões no final do ano passado. O grupo Abril desfruta de uma posição dominante no negócio de revistas, mas tem sofrido com um brusco declínio na receita publicitária em 2001 e fracassou na tentativa de devolver a lucratividade às suas operações de TV paga e de Internet. O grupo já embarcou em uma abrangente reestruturação. Mais de 1.200 trabalhadores, cerca de 10% da força de trabalho, foi dispensada. Dessa forma, as perdas foram reduzidas de R$ 127 milhões em 2000 para R$ 44 milhões em 2001, disse o jornal britânico. Ganhar acesso ao capital estrangeiro também poderá levar mais tempo do que muitos esperam, afirma o FT, já que o Congresso ainda tem de aprovar a legislação que define as condições de investimento às empresas estrangeiras, inclusive os direitos de voto. O grupo Globo segue o mesmo caminho, diz o FT. Em março, Henri Philippe Reichstul, ex-Petrobras, foi nomeado para chefiar a Globopar. "Ele tem poderes absolutos para comandar uma ampla reestruturação e preparar o terreno para a abertura de capital", disse Regina Augusto, editora do Meio & Mensagem ao FT.

Agencia Estado,

07 de junho de 2002 | 10h42

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