Nabil Mounzer/EFE - 8/1/2020
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Mídia japonesa fica de fora de coletiva de Carlos Ghosn

Só dois veículos do país participaram do evento

Fernando Scheller, enviado especial, O Estado de S.Paulo

09 de janeiro de 2020 | 04h00

BEIRUTE - Na noite de quinta, 8, em Beirute, um grupo de pessoas enfrentava a chuva insistente que caía na cidade agarrado a um portão de ferro do estacionamento da sede do Sindicato dos Jornalistas do Líbano, onde foi realizada a coletiva de imprensa de Carlos Ghosn, executivo que já foi o todo-poderoso da aliança Renault-Nissan. Eram jornalistas japoneses que, mesmo horas depois de o evento ter terminado (a coletiva foi à tarde), ainda aguardavam a chance de falar com o executivo.

A maior parte dos profissionais da mídia japonesa teve acesso negado ao evento pela equipe do executivo. Só dois veículos japoneses estiveram presentes para ouvir as justificativas de Ghosn. É um retrato da delicada relação entre Ghosn e a imprensa do país onde foi acusado de ocultar patrimônio e enfrenta um processo criminal.

Assim que o paradeiro do executivo foi conhecido, após a fuga de Tóquio, a mídia japonesa veio em peso para a capital libanesa. Diante da casa da Nissan que a família de Ghosn ainda usa em Beirute, eles eram presença constante – e de longe a maioria entre os “vigias” da garagem da residência. 

Na coletiva, um dos jornalistas japoneses que estavam presentes foi direto ao ponto, perguntando se o executivo tinha medo da mídia japonesa. Ghosn então afirmou que considera que a mídia do país tratou seu caso sem nenhuma posição crítica às informações que eram repassadas pelos promotores de Justiça. Ele lembrou, ainda, que o vazamento de informações pelos promotores é contrário à lei japonesa.

Durante a entrevista, o executivo disse que a Nissan se uniu aos promotores para “assassinar sua reputação” – e, com a colaboração da imprensa japonesa, tiveram bastante sucesso nessa intenção. Por essa razão, admitiu ele, a maior parte da imprensa japonesa teve acesso negado ao evento.

Alguns dos jornalistas que conversaram com a reportagem disseram que o tema é interessante para o país não apenas pelo fato de Ghosn ser, na visão japonesa, fugitivo da Justiça. Trata-se também de uma narrativa clássica: o herói nacional que, de repente, caiu em desgraça. “Também há o fato de ele ainda morar nessa casa, que pertence à Nissan, um patrimônio japonês”, disse um deles, pedindo para não ser identificado.

O jornalista voltou a contatar a equipe de comunicação de Ghosn duas horas antes do evento – e, novamente, ouviu não como resposta. O executivo disse ontem, durante a coletiva de imprensa, que iria pelo menos cumprimentar todos os que esperaram, em vão, na chuva

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