Mídia tem papel vital nas crises, diz Clinton

Para ex-presidente americano, acesso à informação é fundamental no mundo

FERNANDO SCHELLER , ENVIADO ESPECIAL / CANNES, O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2012 | 03h07

Traduzir mensagens complicadas sobre economia e política de uma forma clara e concisa é o principal papel dos meios de comunicação na construção de um mundo mais justo e bem informado, disse o ex-presidente americano Bill Clinton, na palestra que realizou ontem durante o Cannes Lions Festival Internacional de Criatividade, do qual o 'Estado' o representante oficial no Brasil.

Para ele, o acesso à informação é vital para que o público possa fazer melhores escolhas e também entender a realidade em tempos de crise.

Clinton, que se dedica a trabalhos de ação social nas nações mais pobres do mundo desde que deixou o governo americano, participou do evento a convite do grupo ABC, que inclui agências como Africa e DM9DDB, comandado por Nizan Guanaes. O ABC usou Cannes e a palestra para se apresentar ao mercado internacional como uma holding internacional - o grupo tem 2,1 mil funcionários e faturou R$ 750 milhões no ano passado.

Segundo Clinton, os meios de comunicação têm a missão de explicar a consequência de certas decisões ao público geral. Ele citou como exemplo uma votação do Congresso americano, de maioria republicana, que cortou os repasses da União aos municípios com o objetivo de manter na ativa funcionários públicos como professores, bombeiros e policiais. "Ao longo de 27 meses, a economia americana conseguiu criar 4,3 milhões de empregos. Com essa decisão, foram fechados 650 mil postos de trabalho no setor público", explicou.

O ex-presidente defendeu também que o mundo só poderá prosperar caso os diferentes grupos políticos e de lobby encontrem uma maneira de sentar na mesma mesa para conversar e encontrar um compromisso para assuntos polêmicos. "Em Manaus, durante um debate sobre a preservação da Amazônia, vi que os diferentes grupos conseguiam negociar de forma respeitosa. Acho que, nesse sentido, o Brasil está na frente dos Estados Unidos, onde tudo hoje se resume à divisão partidária."

Europa. Bill Clinton afirmou também que a Espanha não pode ser considerada culpada pela crise que atravessa atualmente, já que ela foi originada no mercado financeiro, no setor de hipotecas, o mesmo que foi o estopim da crise de 2008. "Antes de a crise atingir o país, eles tinham um superávit do orçamento do governo", diz. O mesmo vale para a Grécia, que, para ele, precisa buscar uma forma de recuperar a autoestima. "Parece agora que os gregos são preguiçosos, quando eles, na verdade, trabalham mais do que a média na Europa."

A receita para a recuperação da economia mundial, diz Clinton, está em um movimento de novos investimentos na retomada do crescimento - tendência facilitada pelos juros próximos a zero nos EUA e na Europa -, seguido por maior austeridade nas contas governamentais. Para ele, a criação de empregos está intimamente ligada ao incentivo ao empreendedorismo e ao nascimento de novas empresas.

Nesse sentido, Clinton diz que a Alemanha está fazendo a lição de casa. Um exemplo positivo alemão é o do desenvolvimento de energias alternativas, com especial sucesso na geração solar. "A Alemanha já produz o equivalente a 20 usinas nucleares usando luz solar, um recorde no mundo. E, nesse processo, o país criou 600 mil empregos."

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