MIGRANTES SULISTAS CONTROLAM REGIÃO

Distrito de São Desidério, Roda Velha concentra as atividades do agronegócio no município. Às margens da BR-020, via de escoamento da produção, placas indicam algumas das empresas presentes na região: Bunge Alimentos, Algopar, Kobra, Cargill, Busato, Horita, Cooproeste. Em época de seca, a poeira cobre os plásticos que protegem o algodão recentemente colhido à espera de transporte, ao longo da rodovia.

O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2011 | 03h07

A moeda local de negócio é a soja e o sotaque do distrito é predominantemente sulista. Agricultores, comerciantes e famílias que deixaram o Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina e São Paulo em busca de melhor condição de vida no cerrado baiano habitam o local.

Há 14 anos, o comerciante Jacó Follman, de 55 anos, trocou Quatro Pontes, no Paraná, por São Desidério. Sete dos 11 irmãos estão na região. O primeiro a chegar foi José Inácio, o Juca. Jacó tem uma imobiliária. "Há 10 anos, se comprava uma área bem localizada, perto da BR-020, por 150 sacas de soja o hectare", conta. "Agora, só se pagar de 350 a 400 sacas."

A tendência crescente de valorização é equivalente à tendência de redução das pequenas áreas - de até 500 hectares. "Os grandes estão comprando os pequenos e dominando a região", diz Jacó, que também registra a retração do interesse dos investidores estrangeiros. "Até 2008 era grande a procura dos estrangeiros, desde então a demanda é do Brasil mesmo."

Já os lotes urbanos e casas têm atraído, segundo ele, quem vem morar e trabalhar nas indústrias de beneficiamento do algodão. A crença dos que chegam a Roda Velha é de que o distrito vai se emancipar e se tornar município, com possibilidade de mais desenvolvimento. "Não se pode criar expectativa falsa, mas nossa região ainda vai ser muito procurada pelo País e pelo mundo inteiro", entusiasma-se Jacó.

"Quando a gente chegou aqui, há 20 anos, não tinha nada, só mato" relata Marilei, esposa de José Inácio, o dono do Supermercado do Juca. "Somos parte dos desbravadores que vieram com a cara e a coragem."

Os Follman integram a segunda leva dos "gaúchos", rótulo que ganharam os agricultores sulistas que começaram a chegar a São Desidério na década de 1980, quando as terras do local e de toda a região eram consideradas imprestáveis e a economia local se tinha base na agricultura de subsistência.

Ninguém se arrependeu da empreitada e todos esperam acompanhar o futuro promissor da região. "Está valendo a pena", garante Jair Afonso Moreira Leite, 42 anos, casado, três filhos, dono de uma pizzaria. Natural de Santa Catarina, região de Juaçaba, ele veio acompanhando o sogro que comprou uma fazenda de dois mil hectares em São Desidério e planta algodão, milho e soja.

José Ílton da Silva, deixou Curitiba há nove anos, empolgado com a experiência de amigos agricultores, da família Bolonhini, que deixaram o frio do Paraná para plantar no cerrado baiano. Presidente da Igreja Católica e diretor da Associação de Moradores Três Fronteiras, ele é dono do pequeno hotel do distrito. Quando precisam de serviço médico ou de uma compra mais elaborada, os moradores recorrem a Luiz Eduardo Magalhães, mais próximo de Roda Velha que a sede de São Desidério.

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