Miguel Jorge critica anúncio antecipado sobre IPI

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, criticou, em entrevista exclusiva concedida para a Agência Brasil, qualquer tipo de anúncio prévio da manutenção do corte do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Para o ministro, um aceno sobre a manutenção da medida por parte das autoridades gera comportamento de postergação de compra pelos consumidores. "O IPI reduzido tem o objetivo de fazer com que o consumidor se entusiasme e compre o produto. Se você anuncia com antecedência de duas ou três semanas que o IPI será reduzido, alguém que estava se programando para comprar o produto vai deixar para o próximo mês", afirmou o ministro.

AE, Agencia Estado

14 de junho de 2009 | 17h13

Miguel Jorge lembrou, na entrevista, que o próprio presidente Lula defende que o consumidor antecipe suas compras, para fazer com que a "roda da economia continue a girar". "Então, mesmo que eu seja favorável, até o último dia eu vou dizer que sou contra a prorrogação da isenção e redução do IPI", disse o ministro.

Sobre o anúncio da queda do Produto Interno Bruto Brasileiro (PIB) no primeiro trimestre, Jorge declarou que esse resultado já era esperado, inclusive por ele, que chegou a ser criticado quando falou em recessão. No entanto, o ministro disse estar otimista com o comportamento da economia no restante do ano. "Vamos ter um segundo trimestre melhor e, consequentemente, um terceiro melhor que o segundo, e um quarto melhor que o terceiro. Programas como Minha Casa, Minha Vida, por exemplo, começarão a ter impacto na economia a partir do segundo semestre, quando começam os desembolsos", afirmou.

Sobre a balança comercial, Miguel Jorge chamou de "acidente de percurso" os resultados dos dois primeiros meses do ano. "Tanto que já tem acumulado US$ 7,5 bilhões (o saldo) e tem mantido uma média boa no fechamento semanal." Para ele, a tendência é haver melhora no segundo semestre.

Para o ministro, com a redução da taxa Selic para um patamar inferior a 10% ao ano, há perspectiva de crescimento nos investimentos das empresas, mas ainda há entraves. "Nós precisamos fazer com que o spread diminua e, aí sim, os investimentos sejam financiados não só por bancos, como o BNDES, mas também que haja no sistema financeiro um processo de investimento."

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