Miguel Jorge defende o uso de medidas de controle cambial

Ministro do Desenvolvimento afirma, contudo, que alterar regras para o câmbio não está nos planos do governo

RICARDO LEOPOLDO, Agencia Estado

07 de dezembro de 2009 | 10h29

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, destacou nesta segunda-feira, 7, que o atual patamar de câmbio preocupa. Segundo o ministro, precisariam ser usadas "medidas de controle cambial, como existe em alguns países." "E não me parece que esta é a ideia central do governo", completou.

No entanto, ele ponderou que essa questão não vai ser resolvida no curto prazo, porque é preciso haver melhorias estruturais, como um incremento mais vigoroso das exportações.

"Vejo também (o câmbio) como problema sério, mas não vejo como possamos solucioná-lo no curto prazo", comentou. "Adotamos uma política cambial, que tudo indica que será mantida, e portanto não é fácil para resolver (o problema)."

Na avaliação do ministro, a melhoria da competitividade das vendas externas do País seria oportuna para, de alguma maneira, compensar as dificuldades trazidas pelo atual patamar da cotação do real ante a moeda dos EUA. Jorge destacou que o câmbio ao redor de R$ 1,70 diminui as condições dos exportadores realizarem negócios, aumentando o preço dos produtos vendidos no exterior. "Se você está trabalhando com uma moeda que vale muito, você perde capacidade de competição em relação às empresas que trabalham com uma moeda controlada, como ocorre em alguns países da Ásia", disse o ministro, referindo-se sobretudo à China.

No país oriental, o governo mantém o câmbio praticamente fixo, para incrementar as exportações e, com isso, conquistar um volume expressivo de reservas cambiais. A China tem mais de US$ 2 trilhões de reservas cambiais, nove vezes mais que os US$ 239 bilhões do Brasil. Esta política de câmbio desvalorizado e fixo permite que o país asiático pressione nações desenvolvidas como os EUA, para que eles não interfiram em sua gestão das políticas monetária e cambial.

 

Balança comercial

 

O ministro afirmou ainda que o superávit da balança comercial em 2010 será maior que o registrado neste ano, e ambos terão dois dígitos. No acumulado de 2009 até novembro, o saldo comercial está positivo em US$ 23,202 bilhões.

 

Indagado se o aumento do crescimento do País em 2010, que poderá atingir 5%, não vai provocar uma alta substancial das importações e reduzir com força o saldo comercial, o ministro foi peremptório: "Teremos um superávit robusto neste ano e também no ano que vem". "O ano que vem será melhor que este ano. Neste ano tivemos dificuldade que não teremos em 2010", comentou o ministro, depois de participar de evento na Fiesp sobre internacionalização de empresas brasileiras.

 

Miguel Jorge argumentou que apesar do avanço das importações, que deve ocorrer em função do aumento do nível de atividade econômica nos próximos 12 meses, o mundo voltará a crescer, o que vai elevar as exportações brasileiras. Ele destacou que países centrais, que devem registrar uma queda do PIB ou, na melhor das hipóteses, estabilidade neste ano, podem crescer 2% no ano que vem, o que, segundo ele, "faz alguma diferença". O PIB dos EUA está ao redor de US$ 14 trilhões e uma expansão de 2% significa um incremento de US$ 280 bilhões. Em 2008, o PIB da Argentina atingiu US$ 328 bilhões.

 

IOF

 

O ministro ressaltou que não acredita que a taxação de 2% de IOF para aplicações de investidores estrangeiros no País possa diminuir o ingresso de capitais no Brasil. "Não acredito muito nisso. O chamado mercado absorve essas questões, como absorveu. Não houve impacto de qualquer volume", disse. "É muito mais (adequado) melhorar as condições de exportações, colocar mais crédito e melhorar as condições das empresas para torná-las mais competitivas."

 

Miguel Jorge afirmou que a aceleração da acumulação de reservas internacionais, que estão ao redor de US$ 240 bilhões, "em teoria", poderia ajudar a coibir um eventual movimento de valorização excessiva do real ante o dólar. "Agora, você cria um problema porque quando aumentam as reservas, isso dá mais robustez ao país, (o que) atrai mais dólares (ao Brasil). Fica com uma escolha de Sofia", referindo-se entre o dilema de aumento da poupança externa do País e a possibilidade de estimular ainda mais os capitais internacionais em busca de segurança e rentabilidade dos seus ativos financeiros.

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