Miguel Jorge descarta reduzir impostos e juros a exportadores

Para o ministro, problema das exportações brasileiras está na redução da demanda por causa da crise mundial

Carmen Pompeu, especial para o Estado,

28 de setembro de 2009 | 14h36

O ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, disse nesta sexta-feira, 28, em Fortaleza que o problema das exportações brasileiras não está no câmbio, mas no impacto sofrido pelos mercados tradicionais que reduziram suas compras por causa da crise econômica mundial. Ele afirmou que o governo busca incentivar novos mercados, mas descartou reduzir impostos ou juros das empresas exportadoras. "O papel do governo é o seguinte: quanto menos atrapalhar melhor", afirmou. Segundo Miguel Jorge, "os juros estão bons". "Nunca foram tão baixos".

 

A economia brasileira vai crescer 5% em 2010, garantiu o ministro. Ele confirmou a informação dada neste último domingo, na Venezuela, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante encontro de chefes de Estado da América do Sul e da África. Para isso, de acordo com o ministro, o Brasil vai manter o arranjo macroeconômico que deu sustentação ao País para enfrentar a crise econômica mundial.

 

O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o Programa "Minha Casa Minha Vida" e a exploração do petróleo na camada do pré-sal são, segundo Miguel Jorge, os três pilares que sustentam essa previsão mais otimista para 2010, ante previsão anterior de 4,5% feita pelo governo brasileiro.

 

Miguel Jorge abriu nesta segunda-feira o V Encontro Empresarial de Negócios na Língua Portuguesa, que prossegue até amanhã, no Centro de Convenções Edson Queiroz. O evento reúne cerca de mil empresários de oito países que têm o português como idioma em comum.

 

Antes, o Encontro era focado na relação Brasil-Portugal, e, neste ano, provocado pela busca por novos mercados como forma de enfrentamento da crise econômica mundial, foi ampliado para os demais países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP): Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor Leste.

 

De acordo com o presidente do Conselho das Câmaras Portuguesas de Comércio no Brasil, o luso-moçambicano Rômulo Alexandre Soares, o volume de negócios realizados entres os países da CPLP é de US$ 13 bilhões por ano. E pode ser ampliado. Isso porque, segundo ele, o total das trocas internacionais desses países com o restante do mundo é superior a US$ 550 bilhões.

 

"A decisão de se fazer o evento no formato atual envolvendo empresários dos oito países da CPLP é um imperativo histórico e econômico, na medida em que é vital reproduzir no comércio o que já ocorre no investimento externo direto. A crescente estabilidade econômica que se observa nas economias de língua portuguesa cria oportunidades de comércio e investimentos há até pouco tempo inimagináveis e que têm que ser aproveitadas, a exemplo do que a China está fazendo e que registra volumes de trocas comerciais com a CPLP em torno de 77 bilhões de dólares", afirma Soares.

 

O governador do Ceará, Cid Gomes, também presente na abertura do encontro, disse que, apesar da crise, o Produto Interno Bruto (PIB) do Estado cresceu no primeiro semestre deste ano 2,8%, enquanto o PIB nacional registrou queda de 1,5%. Além de programas assistenciais como o Bolsa Família, ele ressaltou que o Ceará é o Estado brasileiro com maior quantidade de empreendedores portugueses.

Tudo o que sabemos sobre:
impostosjurosexportação

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.