Miguel Jorge diz esperar que Copom mantenha Selic em 11,25%

Segundo ministro do Desenvolvimento, decisão seria influenciada pelas incertezas da crise de crédito nos EUA

Isabel Sobral, da Agência Estado,

05 de dezembro de 2007 | 11h11

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, disse nesta quarta-feira, 5, esperar que o Comitê de Política Monetária do Banco Central mantenha a taxa básica de juros do País, a Selic, no atual patamar de 11,25% ao ano.  Na avaliação do ministro, essa decisão, no entanto, será mais influenciada pelas incertezas quanto aos reflexos da crise do subprime nos Estados Unidos, no mercado brasileiro, do que propriamente pelo aquecimento da economia interna brasileira. "Acho que é uma posição (do Copom) conservadora, mas correta, essa de esperar para avaliar melhor os reflexos da crise americana", disse o ministro, que participou da cerimônia de lançamento do PAC da Saúde, no Palácio do Planalto. Miguel Jorge disse que há sinais no mundo que justifiquem uma cautela maior do Banco Central brasileiro em relação aos reflexos dessa crise, citando como exemplo o fato de que há alguns dias o mercado financeiro na Europa teria reduzido muito a sua liquidez, e isso porque vários bancos estariam tendo dificuldades em vender seus papéis.  Sobre os números da expansão da produção industrial, divulgados nesta quarta pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o ministro afirmou que o movimento de expansão já era esperado, podendo apenas surpreender no tamanho. "É um resultado muito bom e que como já vimos acompanhando algum tempo está muito lastreado na alta do consumo interno", afirmou. Miguel Jorge acrescentou que não vê preocupação de alta de inflação por causa desses dados, porque a partir do final do ano e início de 2008 deve haver uma redução nesse movimento industrial, pois tradicionalmente as indústrias, já tendo reduzido seus estoques, tendem a diminuir também a sua produção.  "É um momento em que muitas até dão férias coletivas, fazem reestruturação em suas fábricas, aproveitando a baixa natural do ritmo da economia", disse.

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