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Miguel Jorge faz critica velada à decisão do Copom sobre juro

Ministro diz que não discute assunto, mas que é contra qualquer medida que prejudique setores do País

Anne Warth, da Agência Estado,

15 de dezembro de 2008 | 17h50

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, fez nesta segunda-feira, 15, uma crítica velada à decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), que, na semana passada, decidiu manter a taxa básica de juros em 13,75% ao ano. Jorge disse que, como ministro, é contra qualquer medida que possa prejudicar o comércio, a indústria e as exportações. Veja também:Desemprego, a terceira fase da crise financeira global De olho nos sintomas da crise econômica Dicionário da crise Lições de 29Como o mundo reage à crise   Ele ressaltou que não faria qualquer discussão pública sobre o assunto e que evitaria comentar a política monetária, mas admitiu que esse foi um dos temas que dominou a reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e grandes empresários, na semana passada, em Brasília. "A reunião foi uma das melhores que já presenciei. Os empresários falaram sobre a situação de seus negócios e setores e puderam sugerir medidas para diminuir os impactos da crise. Houve quase unanimidade sobre uma maior pressão sobre o Banco Central na questão dos juros", afirmou, para uma platéia formada por empresários, durante almoço do Grupo de Líderes Empresariais (Lide), na capital paulista. De acordo com o ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, grande parte dos empresários mantém otimismo em relação à economia brasileira. Jorge citou, especificamente, a Nestlé e o Wal-Mart, que continuam com vendas aquecidas e mantiveram todos os investimentos planejados. Os mais pessimistas são os setores ligados às commodities, cuja demanda caiu, bem como os preços. Diante da insistência dos empresários em relação à temática dos juros, ele destacou a independência do BC para a tomada de decisões. "Não considero o Banco Central como governo. Há uma independência, de fato. Se fosse governo, o presidente daria uma ordem e ela seria cumprida", disse, em relação à contradição entre a decisão do BC e as declarações de Lula. O ministro afirmou ainda que, como mineiro, embora não gostasse falar muito, deixava a posição muito clara. "Os mineiros não dizem as coisas, mas elas ficam claras. Ficaram claras para vocês? Mas aí é uma avaliação de vocês", respondeu, ao ser questionado sobre a opinião em relação à manutenção da Selic. Medidas Miguel Jorge disse ainda que o governo adotará todas as medidas que forem necessárias para reduzir os impactos da crise do sistema financeiro internacional na economia brasileira. "Todas as medidas possíveis e necessárias para minimizar os efeitos da crise serão tomadas pelo governo. Podem ter certeza. Ao contrário do que alguns dizem, o governo está atento", afirmou. Sem detalhar quais seriam essas medidas, o ministro ressaltou que, "para situações de crise,é preciso ter soluções de crise". Como exemplo, ele citou o aumento das vendas nas concessionárias neste fim de semana, o primeiro desde o anúncio da isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para carros até mil cilindradas, cuja alíquota era de 7%, e a redução do IPI de 13% para 6,5% dos veículos entre mil e 2 mil cilindradas. Questionado sobre se o governo não deveria ter exigido contrapartidas das montadoras, como a manutenção dos empregos, ele respondeu que houve um acordo verbal, de cavalheiros, em relação a esse tema. "A redução do IPI foi fundamental para esse resultado", disse. "No caso dos carros usados, em que o governo não pode interferir diretamente, o que foi anunciado na última semana aos empresários é que os bancos médios e pequenos vão receber um aporte de recursos do Banco Central porque são esses os grandes responsáveis pelo movimento de financiamento do carro usado, para que eles possam fazer com que volte o movimento. Ainda não temos o valor", acrescentou. O ministro citou uma série de indicadores para mostra que o País está bem preparado para enfrentar a crise, embora tenha reconhecido que ela vai mostrar seus impactos em 2009. Ele disse que uma prova disso é a compra da Volkswagen Caminhões e Ônibus, que pertencia à Volkswagen AIG, pelo grupo alemão MAN Aktiengesellschaft. A fábrica da VW Caminhões e Ônibus fica em Resende (RJ) e era a única unidade do Grupo VW que produzia caminhões e ônibus em todo o mundo. "Um dado importante é que toda a gestão da marca será feita a partir do Brasil para a América Latina inteira, inclusive o México. Isso mostra também uma posição privilegiada do País em relação a isso. E a MAN, com os produtos VW Caminhões e Ônibus, que imagino que devem passar a se chamar MAN em algum tempo, passa a ter a possibilidade de ir para 150 países onde a MAN está hoje. Nos últimos dias, isso é, sim, é um sinal de investimento importante feito no Brasil", finalizou.

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