Mike Krieger, o homem de US$ 100 milhões

Paulista de 26 anos é cofundador do Instagram e tem 10% da empresa de compartilhamento de fotos vendido para o Facebook por US$ 1 bilhão

FERNANDO SCHELLER, O Estado de S.Paulo

10 Abril 2012 | 03h04

Aos 26 anos, o brasileiro Mike Krieger, cofundador do aplicativo de compartilhamento de fotos Instagram, fez a transição de aspirante a empresário a multimilionário do ramo de internet em um ano e meio. O Instagram, criado em outubro de 2010, foi vendido ontem para o Facebook, do todo-poderoso Mike Zuckerberg, por US$ 1 bilhão. Isso transforma Krieger no homem de US$ 100 milhões - ele detém uma fatia de 10% do negócio.

Filho de um alto executivo de uma empresa de bebidas, Krieger morou em Lisboa, Buenos Aires, Miami e no condomínio de luxo Alphaville, na Grande São Paulo. Voltou aos Estados Unidos para o ensino superior - e foi aceito na prestigiosa Universidade Stanford. Ao formar-se, trabalhou durante um curto período no Meebo (site que agrega diferentes ferramentas de bate-papo pela internet), mas logo abandonou a vida de funcionário para se dedicar a um negócio próprio. Era a gênese do Instagram.

Ao lado do sócio majoritário e ex-colega de universidade Kevin Systrom, Krieger pretendia criar uma espécie de evolução do serviço de localização Foursquare - além de dizer onde estavam, os usuários poderiam também publicar fotos, vídeos e comentários dos locais. Conseguiram desenhar o projeto, mas ele se revelou complexo demais. Os sócios optaram, então, por limitar o foco ao compartilhamento de fotos, justamente o que mais chamava a atenção das pessoas a quem apresentavam a ideia.

Durante os meses de setembro e outubro de 2010, os dois viraram noites seguidas e se concentraram em simplificar o projeto. Assim nasceu o Instagram, que une as palavras "Instant" e "Telegram". Nas semanas que antecederam o lançamento, contou Mike Krieger ao Estado em março de 2011, não havia tempo nem para dormir. "Só sei que aconteceu e foi verdade porque minha namorada fotografou tudo", lembrou ele.

Febre. Embora ainda seja uma incógnita do ponto de vista de renda, pois é um aplicativo gratuito, o Instagram virou febre literalmente da noite para o dia. Na estreia do aplicativo na loja da Apple, eram esperados 2,5 mil downloads, mas 20 mil pessoas se interessaram. Os primeiros a aderir em massa foram os japoneses, conhecidos por seu gosto tanto por fotografia quanto por tecnologia. Em quatro meses, 1,7 milhão de pessoas já usavam o aplicativo para compartilhar fotos. Hoje, são 30 milhões.

Quem apostou na ideia em seu início teve grande retorno sobre o investimento. O fundo Benchmark Capital, que aplicou US$ 7 milhões no Instagram em fevereiro do ano passado, receberá um retorno de 2.470% em 14 meses. O Benchmark, que ficou com 18% do negócio, vai embolsar US$ 180 milhões.

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