Germano Rorato/ Estadão - 24/8/2018
Germano Rorato/ Estadão - 24/8/2018

Milho deve ser foco de políticas públicas, pois é peça-chave para a segurança alimentar e energética

Além de matéria-prima para a indústria alimentícia e principal insumo para a agroindústria de carnes, o milho também passou a ser demandado para a fabricação de etanol

Cesario Ramalho*, O Estado de S.Paulo

24 de agosto de 2021 | 04h00

A safra brasileira de milho vem constantemente avançando, o que acentua o gigantesco potencial alimentício e energético do grão. Além de assegurar o abastecimento interno, o milho nacional ganha terreno no exterior graças à ampla oferta que produzimos e excelente qualidade do nosso grão.

O produtor ano a ano incorpora novas tecnologias em insumos – sementes, defensivos, fertilizantes –, maquinário, mão de obra qualificada e, mais recentemente, vem adicionando ferramentas digitais em busca de elevar os ganhos de produtividade, bem como investindo permanentemente em boas práticas de manejo sustentável. Além de matéria-prima para a indústria alimentícia e principal insumo para a agroindústria de carnes, o milho também passou a ser demandado para a fabricação de etanol.

Projeções do Ministério da Agricultura sustentam cenário de demanda crescente nos mercados interno e externo. A produção nacional de carnes (bovina, suína e aves) avança em excelência e deve registrar alta de 24,1% até 2030/2031, o que exigirá mais milho para alimentar rebanhos e plantéis. Já as exportações do grão têm potencial para crescer 43,8% nos próximos dez anos.

Há uma pressão natural para o aumento da produção de milho. Assim, o Brasil precisa de um plano estratégico, com aval e apoio do governo federal, de incentivo ao cultivo do grão, que proponha, por exemplo, bonificação para quem elevar ainda mais a produtividade e instrumentos que facilitem o acesso do produtor a mecanismos de comercialização antecipada, que protejam investimentos e renda no campo e contribuam para o equilíbrio de preços ao consumidor. Isso sem se esquecer da necessidade de massificação do seguro rural, demanda, aliás, de toda a agricultura.

O milho precisa ser protagonista nas políticas públicas direcionadas ao agronegócio e ser reconhecido como peça-chave para a segurança alimentar e energética em nível doméstico e global.

Secas e pragas. A conjuntura de demanda aquecida, combinada as quebras de safra em razão de estiagem, pragas e recentes geadas, é o que vem gerando este quadro momentâneo de oferta mais enxuta e preços altos para o milho. A Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho) vem dialogando com toda a cadeia produtiva, a fim de garantir o abastecimento. Defendemos o livre mercado e avaliamos que, num momento de menor disponibilidade do grão, o setor produtivo compreende que importações pontuais são necessárias.

Estimular o pequeno. Nesta equação, o pequeno produtor deve ser prioridade. Exemplo nesse sentido é o Programa Prospera, capitaneado por empresas, entidades como a Abramilho e setor público, que vem tornando viável a produção em larga escala de milho por agricultores familiares do Nordeste, por meio do esforço de capacitação em técnicas modernas de plantio e comercialização.

Após beneficiar mais de mil famílias em Pernambuco, a iniciativa vai avançar para Alagoas, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará, com a meta de assistir mais de 50 mil pequenos agricultores nos próximos cinco anos. Assistência técnica e extensão rural, incluindo o pequeno agricultor às cadeias globais de valor ao transformar a atividade de subsistência em negócio profissional vinculado ao mercado.

Ademais, o agronegócio em geral precisa compreender que a agenda do crédito rural está mudando. O financiamento agrícola oficial está saindo de cena, e é gradativamente substituído por fontes privadas. O agro ficou tão grande que não pode mais restringir-se aos formatos tradicionais de captação. Mas o acesso a estes recursos (mercado de capitais, fundos de investimentos, títulos verdes, etc.) exige nova mentalidade do produtor, maior preparo e melhor gestão.

Nesta jornada, a cobrança da sociedade e de investidores pela agenda ESG (governança social, ambiental e corporativa) só cresce. São critérios que cada vez mais ganham peso nas operações de crédito rural.

*PRESIDENTE INSTITUCIONAL DA ABRAMILHO

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