Milhões de investidores entraram na bolsa desde 2019
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Milhões de investidores entraram na bolsa desde 2019

Com mais 2,5 milhões de novas contas, B3 quase quadruplicou de tamanho em menos de 2 anos

Media Lab Estadão, O Estado de S.Paulo
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14 de março de 2021 | 08h00

A Bolsa de Valores parecia um mundo distante para os pequenos investidores brasileiros – gente que aprendeu com os pais e avós a colocar na caderneta de poupança o dinheiro que conseguia guardar para o futuro. Essa realidade mudou drasticamente nos últimos dois anos. 

A B3, Bolsa de Valores do Brasil, viu o número de investidores ser ampliado em quase quatro vezes desde março de 2019, saltando de 900 mil para quase 3,5 milhões. Essas pessoas têm, juntas, R$ 448,5 bilhões investidos, média de R$ 129,5 mil por conta.

Os novos investidores da Bolsa são jovens (idade média de 32 anos), com predominância ainda dos homens (74%), embora a participação feminina venha crescendo – de 22% em 2018 para os atuais 26%. Em números absolutos, no entanto, a quantidade de mulheres na Bolsa aumentou quase cinco vezes nos últimos dois anos, saltando de 190 mil para 924 mil contas.

As estatísticas evidenciam, também, o quanto a Bolsa caiu de vez na preferência dos pequenos investidores. Das contas abertas nos dois últimos anos, 56% têm como titular pessoas com renda familiar inferior a R$ 5 mil por mês, enquanto apenas 7% têm renda familiar acima de R$ 15 mil por mês. O valor médio atual do primeiro investimento é R$ 660, cerca de um terço do que o registrado dois anos antes, R$ 1.916.  

Ainda no início da trajetória profissional e na maioria sem filhos – situação de 60% deles –, a nova geração de investidores da Bolsa já está demonstrando ter a paciência necessária para esperar pelos bons resultados das ações ao longo do tempo. O porcentual de novos investidores que zeraram suas contas dentro dos seis meses seguintes à entrada na Bolsa caiu, nos últimos dois anos, de 28% para 23%.

Outra característica da nova geração de investidores da Bolsa é a diversificação: diluir os investimentos em mais de um produto de renda variável tornou-se um procedimento mais comum. O porcentual de participantes da B3 que detinham somente ações caiu de 78% para 54% entre 2016 e 2020 – com isso, a parcela dos investimentos totais alocados em ações caiu de 61% para 40% no mesmo período.

Mercado mais democrático

E por que tantas pessoas escolheram investir na Bolsa nos últimos dois anos? Trata-se do resultado de uma combinação de fatores. O impacto da queda da taxa de juros na poupança e na renda fixa certamente é um deles. “O cenário de juros baixos por um período relativamente longo é inédito para os brasileiros”, observa Marcelo Billi, gerente de Comunicação, Certificação e Educação de Investidores da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). 

Ele lembra que os juros altos eram reflexo de desequilíbrios na economia brasileira e ressalta que a redução certamente ajuda no fortalecimento da cultura de investimento. “Antes, era possível ter liquidez, alta rentabilidade e baixo risco. Isso não existe mais no Brasil, como não existe em nenhum outro lugar. Então, quando as pessoas se depararam com a redução dos retornos dos investimentos conservadores de baixo risco, começaram a procurar por informações, avaliar alternativas e realocar os recursos”, analisa Billi.

Embora tenha sido importante para atrair novos investidores à Bolsa, a queda dos juros não é o fator principal desse movimento, revelou uma pesquisa aprofundada que a B3 fez no fim do ano passado. A enquete teve como foco as motivações de parte dos recém-chegados. A mentalidade das novas gerações tem muito a ver com a mudança de perfil do investidor, segundo o estudo.

Os jovens estão demonstrando que têm menos aversão ao risco e enfrentam com mais naturalidade o sobe e desce normal da Bolsa. “A volatilidade deixou de ser vista como algo negativo, que assusta. Os novos investidores compreendem melhor que isso faz parte da dinâmica do mercado e que é também uma oportunidade, dependendo da estratégia de investimentos”, diz Felipe Paiva, diretor de Relacionamento com Clientes-Pessoa Física da B3.

A pesquisa pediu aos entrevistados que indicassem a razão mais importante, entre um menu de opções, para a decisão de investir na Bolsa. “Aprender a aplicar em outras modalidades de investimento” ficou em primeiro lugar, mencionada por 38% dos novos investidores ouvidos. Só depois vieram os motivos puramente financeiros: “Buscar produtos de investimento com maior rentabilidade” (33%) e “Baixa remuneração da poupança e queda na taxa de juros” (11%).

As respostas indicam que a principal motivação é, portanto, ganhar confiança e valorizar uma sensação de autonomia. “Dá muito prazer quando a gente começa a investir em ativos mais qualificados e percebe os resultados positivos dessa estratégia”, explica Jéssica Castro, 27 anos, analista da Ativa Investimentos, corretora de valores do Rio de Janeiro. (MO)

O fim do esnobismo

 


Jéssica simboliza a nova geração de investidores por várias razões: é jovem, mulher e atua como influencer, grupo citado na pesquisa da B3 como a principal fonte de informação dos novos investidores. 

Seu papel na Ativa é “traduzir” para os clientes as terminologias técnicas do mercado, além de articular internamente esse entendimento com as áreas que se comunicam com o público. Para cumprir a missão, Jéssica aparece nas redes sociais da corretora e faz esse mesmo papel no perfil pessoal no Instagram, onde mescla cenas e momentos da vida pessoal com informações sobre investimentos. A trajetória de Jéssica é também uma síntese do caminho percorrido pela nova geração de investidores no Brasil. Filha única de mãe solteira, ela começou a trabalhar desde cedo para ajudar em casa. O interesse pelo mercado financeiro e de capitais foi despertado aos 17 anos, como possível caminho para construir um patrimônio com mais eficiência, mas esbarrou na falta de acolhimento por parte do banco em que Jéssica tinha conta. 

“Fui falar com a gerente e ela me disse que eu estava muito longe de ter capital suficiente para pensar em investimentos de renda variável, que o melhor seria simplesmente deixar na poupança”, lembra Jéssica. Desde então, muita coisa mudou no mercado. Os grandes bancos passaram a sofrer a concorrência das fintechs e, com isso, deixaram de desprezar os pequenos investidores, criando alternativas acessíveis também para esse público – o que ajuda a explicar parte da maior procura que a Bolsa vem registrando nos últimos dois anos. Jéssica conseguiu uma bolsa para ingressar no curso de Administração da Pontifícia Universidade Católica (PUC). Durante as aulas entrou em contato com grupos que trocavam informações sobre o mercado financeiro. Pensando em tantas outras pessoas que gostariam de participar desse universo, mesmo que a partir de um investimento inicial baixo, ela começou a fazer vídeos no YouTube direcionados a esse público. A jovem chamou a atenção da Ativa, que a contratou para continuar o trabalho de levar informação simples e descomplicada a todo tipo de investidor. “Durante muito tempo as pessoas falavam do mercado financeiro como quem falava de vinho, com aqueles jargões e análises só para iniciados. Agora é um assunto que está se tornando acessível para todos. Por isso tem tanta gente entrando na Bolsa”, avalia Jéssica. (MO)

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