Milionários do País elevam investimentos no exterior

Segundo consultoria,intenção de alocação de recursos no exterior subiu de 43% no 2º trimestre para 52% no 3º trimestre

CYNTHIA DECLOEDT , O Estado de S.Paulo

21 de outubro de 2014 | 02h04

Os milionários brasileiros aumentaram a alocação de investimentos no exterior no segundo trimestre em comparação aos três meses anteriores, motivados pela percepção de valorização do dólar em relação ao real. A constatação é do Relatório de Wealth Management Trimestral da consultoria AZ FuturaInvest, realizado com 6 mil pessoas com patrimônio acima de R$ 1 milhão.

Segundo o levantamento, 52% dos clientes de wealth management (a parte das instituições financeiras que cuida da gestão de fortunas) investiram ou pretendiam investir em produtos no exterior no terceiro trimestre, em comparação a 43% no segundo trimestre.

"A única situação paralela à de hoje aconteceu em 2003, quando havia incerteza sobre a política econômica e monetária com a vitória de Lula nas eleições presidenciais", disse Adriano Moreno, CEO da AZ FuturaInvest, subsidiária da Azimut, maior gestora de ativos independente da Itália, com mais de R$ 80 bilhões sob gestão.

Moreno ressalva que, embora o mesmo movimento esteja se repetindo, a preocupação em diversificar para o dólar é orientada pela perspectiva de normalização da política monetária dos Estados Unidos e do baixo crescimento do Brasil, risco de perda do grau de investimento, fragilidade fiscal e alta da inflação. "Independentemente de quem venha a vencer as eleições presidenciais, essa necessidade de diversificar não vai se alterar. É consenso que o juro americano começa a subir em 2015 e, por outro lado, o ambiente macroeconômico brasileiro deve ser difícil nos próximos dois anos", observou Moreno.

Ele diz que esse investidor não desistiu do Brasil e busca a preservação de seu patrimônio, lembrando que é no País que estão os maiores juros reais do mundo. Segundo ele, "com a cabeça atrelada ao juro real", o grosso das alocações desses investidores no exterior está em bônus de empresas brasileiras emitidos no exterior e aqueles com melhor risco. "Não vemos muito interesse por ações estrangeiras, porque a ancoragem está relacionada à preservação de capital", destaca.

O executivo observa que, embora a corrida presidencial não seja o principal motivo, "tudo termina se vinculando com a política, já que o quadro atual da economia está relacionado com o governo". Moreno concorda também que a alocação no exterior pode ser maior ou menor dependendo do resultado das eleições. Mas reiterou que a apreciação do dólar e a desaceleração da economia são situações dadas, de modo que "a intenção de diversificar no exterior não muda", mesmo que haja vitória da oposição.

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