Minc: exigência para melhorar lixo atômico é para fim de obra

Licença prévia concedida nesta quarta, com 60 exigências à Eletronuclear, ratifica viabilidade ambiental da usina

Leonardo Goy, de O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2008 | 19h41

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, esclareceu que a exigência da licença prévia concedida nesta quarta-feira, 23, para a usina nuclear de Angra 3 de um novo modelo de depósito de rejeitos nucelares tem de ser cumprida até o final da obra. "Essa é uma condição para se expedir a licença de operação", explicou, referindo-se à terceira e última etapa do processo de licenciamento ambiental, que autoriza o empreendimento a entrar em funcionamento. Veja Também:Presidente do Ibama assina licença prévia de Angra 3 O ministro reconheceu não existir atualmente no mundo uma tecnologia de excelência de tratamento adequado do lixo atômico, mas salientou ser "precário" o que é feito no Brasil, hoje, nas usinas de Angra 1 e Angra 2. Segundo Minc, os resíduos são colocados em piscinas próximas do litoral e "todos sabem que os mares tendem a subir", ressaltou. Informou existirem na Europa "soluções intermediárias mais interessantes", como colocar os rejeitos dentro de minas de sal. "Temos de buscar o equilíbrio e procurar locais seguros e lacrados", destacou. A licença prévia concedida nesta quarta-feira, com 60 exigências à Eletronuclear, responsável pelas obras de Angra 3, ratifica a viabilidade ambiental da usina. A próxima etapa é a obtenção da licença de instalação, que permite o início das obras. Para conseguir desta licença, a Eletronuclear tem de provar ao Ibama ser capaz de atender a maioria das condições da licença prévia. O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, acredita que a licença de instalação sairá até o final de agosto, de modo a permitir que as obras comecem em primeiro de setembro. Após questionado pelos jornalistas, seguidas vezes, se o prazo esperado pelo ministro é viável, Minc respondeu apenas que "teoricamente, não há óbices para isso", acrescentando que "depende mais da competência do proponente (Eletronuclear) para apresentar os documentos". Manifestantes do Greenpeace realizaram, no início da noite, protesto pacífico em frente ao Ministério do Meio Ambiente. Portavam uma faixa com a montagem de uma foto do presidente do Ibama, Roberto Messias, com um tapa olho de pirata desenhado com o símbolo da radiação e a frase "O Messias chegou e traz más notícias".

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