Mineiros dizem que UE cedeu à pressão da Irlanda

Crítica foi feita pelo secretário de Estado da Agricultura de Minas Gerais, Gilman Viana Rodrigues

Raquel Massote, da Agência Estado,

30 de janeiro de 2008 | 16h56

Autoridades brasileiras já culpam a pressão da Irlanda pelo embargo à carne brasileira decido nesta quarta-feira, 30, pela União Européia (UE). Em comunicado, o secretário de Estado da Agricultura de Minas Gerais, Gilman Viana Rodrigues, considerou a medida da UE "uma decisão política". Para ele, não há argumentos técnicos para impedir a venda da carne brasileira ao bloco. "O setor técnico da União Européia sucumbiu à pressão dos produtores da Irlanda que reclamam da concorrência com a carne brasileira", afirmou no texto. Veja também:Suspensão da importação pela UE foi política, diz AbiecIrlandeses comemoram embargo à carne brasileiraUnião Européia suspende a importação de carne brasileira A decisão da UE foi tomada depois de uma disputa em relação ao número de fazendas que o Brasil teria direito de certificar. O problema começou no final do ano passado, quando a União Européia anunciou que estava impondo novos limites às exportações brasileiras por questões sanitárias. O governo brasileiro passou então a verificar cada uma das fazendas e, pelos critérios exigidos pelos europeus, certificou mais de 2,6 mil propriedades. Mas os europeus já haviam antecipado que, pelas novas normas, dariam o sinal verde a apenas 300 fazendas.  Em Bruxelas, os europeus não escondiam a irritação com a atitude brasileira. Primeiro, pelo número de fazendas, considerado exagerado. Outra confusão foi o fato de cada Estado ter feito uma lista separada. A própria missão diplomática do Brasil junto à UE confessou que não tinha como somar as listas. Com a atitude, o governo jogou de volta para os europeus o problema. Uma nova visita de técnicos da UE ao Brasil está prevista para o dia 25 de fevereiro. Em Minas foi criada uma força-tarefa para auditar 1.710 propriedades em menos de 20 dias. A equipe contou com 160 técnicos do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) e do Ministério da Agricultura, além dos responsáveis pelos frigoríficos exportadores instalados em Minas. A lista da secretaria de Agricultura de Minas conta com 1.237 propriedades aprovadas pelas auditorias. Em 2007, as exportações de carne bovina do Estado para a União Européia atingiram 35 mil toneladas. Gilman Viana preside o Conselho Nacional de Secretários de Estado da Agricultura (Conseagri). Até o momento, de acordo com a assessoria da secretaria da Agricultura, ainda não foi agendada reunião do conselho para discutir o assunto.

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