Mineradora faz oferta de R$ 2 bi pela Paranapanema

Acordo está condicionado à adesão de detentores de pelo menos 50%[br]mais uma ação da Paranapanema

Mônica Ciarelli / RIO, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2010 | 00h00

A Vale anunciou ontem uma oferta pública de até R$ 2 bilhões para a compra da Paranapanema, líder na fabricação de cobre refinado no Brasil. O interesse da mineradora brasileira pelos ativos da Paranapanema é antigo. Em 2008, a Vale chegou a confirmar negociações para arrematar o principal ativo da companhia: a Caraíba Metais, que respondia sozinha por 70% do faturamento da Paranapanema. O negócio, porém, não saiu do papel e a Caraíba acabou incorporada à Paranapanema em 2009.

Em nota, a mineradora informou que só tem interesse em levar a operação à frente caso consiga, no mínimo, 50% mais uma ação da empresa, porcentual que a colocaria como controladora da Paranapanema.

O fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil (Previ) é hoje o maior acionista da companhia, com 24% do capital, seguido pelo braço de participações do BNDES (17%) e o fundo de pensão dos funcionários da Petrobrás (Petros), com 12%. Em junho, o presidente da Previ, Ricardo Flores, admitiu que a fundação estava interessada em vender sua participação. Ontem, a companhia afirmou apenas que vai avaliar a oferta.

Além da fabricação de cobre, a companhia tem outras duas subsidiárias: a Eluma, que beneficia o insumo produzido pelo grupo, e a Cibrafértil, que atua no mercado de fertilizantes. A Vale informou que a oferta incluiu cinco plantas industriais, sendo uma da Caraíba Metais, três da Eluma e uma da Cibrafértil.

Prêmio. O preço por ação ordinária a ser pago no leilão marcado para 10 de setembro pela Vale será de R$ 6,30, correspondendo a um prêmio de 22,4% sobre a média ponderada pelo volume dos preços de fechamento dos pregões dos últimos 90 dias. A"Este preço é superior ao preço por ação apontado no laudo de avaliação da Paranapanema", diz a nota da mineradora.

A Vale justificou a oferta citando planos de se transformar a médio prazo em uma das principais produtoras de cobre do mundo, utilizando a refinaria da Paranapanema para o tratamento do cobre produzido pela mineradora em seus projetos.

Para Pedro Galdi, analista da corretora SLW, a Vale vai precisar fazer investimentos mais pesados para conseguir agregar valor às suas operações de cobre. Segundo ele, seriam necessários "pelo menos cinco Paranapanema" para conseguir atender à produção já prevista em projetos de expansão. O analista pondera, porém, que a compra pode acelerar os planos de crescimento do grupo em fertilizantes.

Ex-gigante

A Paranapanema já foi um dos maiores grupos empresariais do País, reunindo 73 companhias. Mas, atolada em dívidas, foi vendida em 1996 para um consórcio liderado pela Previ.

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