Mineradora prevê decisão sobre potássio em até 40 dias

A Vale investirá cerca de US$ 3,7 bilhões num megaprojeto de exploração e processamento de potássio em Sergipe, a partir de jazidas que pertencem à Petrobrás. A informação foi confirmada por fontes do governo.

Lu Aiko Otta e Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2011 | 00h00

A presidente Dilma Rousseff tem interesse direto no negócio. Na quarta-feira, ela fez reunião com executivos das duas empresas para acelerar as negociações, que se arrastam há três anos. Ela entende que a produção de potássio é estratégica para o País, pois trata-se de insumo para fertilizantes cuja demanda é suprida em 90% por importações.

O Planalto está satisfeito com o resultado da negociação. Espera que o negócio possa ser anunciado em 30 a 40 dias. Um mês foi o prazo solicitado pelas empresas para acertar o único ponto pendente: o preço a ser cobrado pela concessão de novas minas de carnalita, minério do qual se extrai o potássio. O valor será calculado por uma consultoria.

Desde 1992, a Vale explora uma mina de potássio chamada Taquari Vassouras (SE). É o único local do País onde se produz potássio. Esse contrato vence em 2017. O que estava em negociação era sua prorrogação e a ampliação da área a ser explorada. Ontem, o presidente da Vale, Murilo Ferreira, disse que a empresa terá concessão para explorar carnalita, mas não entrou em detalhes sobre o negócio.

Meta. O diretor executivo de Fertilizantes da Vale, Mario Barbosa, disse que a meta é elevar a produção de potássio de 700 mil toneladas para 2,4 milhões de toneladas em quatro anos.

"Acreditamos que até setembro se tenha uma solução para o assunto da carnalita. Para decidir se arrenda, o prazo, etc. Não que tenha assinado algum papel." Apesar da cautela, a informação nos bastidores é que o contrato de arrendamento das minas da Petrobrás será prorrogado por 25 anos. Ficou pré-acordado também que a Vale poderá pagar à Petrobrás com ativos. Uma candidata é a planta de produção de fertilizantes nitrogenados em Araucária (PR).

Durante a reunião, Dilma disse que não interferiria na questão comercial, mas frisou que queria compromisso da Vale de que as minas serão efetivamente exploradas. Um dos participantes disse que a mineradora não apresentou oposição à proposta.

Segundo ele, as negociações fluíram bem porque Petrobrás e Vale chegaram com a proposta praticamente definida. "Foi uma confluência de interesses". A Petrobrás, que não tem interesse em explorar potássio, queria aumentar o prazo do contrato de arrendamento e receber mais. A Vale estava impedida de investir na exploração de potássio porque o contrato com a Petrobrás está próximo de vencer.

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