Minério de ferro ganha mais relevância nos planos de mineradoras e siderúrgicas

Commodities. Em busca de mais rentabilidade, Vale já anunciou que deve investir menos em 2013, e que a maior parte dos investimentos vai para o minério de ferro; as siderúrgicas já descartaram ampliar produção de aço e também investirão no minério

FERNANDA GUIMARÃES, O Estado de S.Paulo

29 de dezembro de 2012 | 02h07

O minério de ferro deve ganhar no próximo ano uma importância ainda maior nos investimentos tanto de mineradoras quanto de siderúrgicas brasileiras. Com seus mercados ainda tentando se recuperar, as empresas decidiram focar seus investimentos em segmentos mais rentáveis - e o minério de ferro, apesar da queda recente nos preços, ainda tem uma margem de lucro muito positiva.

Conhecida por investimentos bilionários e diversificados, a Vale já informou que fará aportes menores daqui para a frente e que dará foco total para o minério de ferro. No início de dezembro, quando apresentou seu programa de investimentos, a empresa afirmou que o projeto Serra Sul, o S11D, em Carajás, receberá atenção total da companhia. A expectativa é de que esse projeto ajude a Vale a reduzir seus custos e, ao mesmo tempo, amplie a qualidade do minério. Com início das operações programadas para 2016, o projeto prevê uma produção anual de 90 milhões de toneladas, com investimentos totais de US$ 19,5 bilhões.

O programa de investimentos da Vale para 2013 totaliza US$ 16,3 bilhões, ante os US$ 17,5 bilhões que devem ser efetivamente realizados este ano. No anúncio, o diretor executivo de Finanças e de Relações com Investidores da Vale, Luciano Siani, frisou que o montante menor não significa que a empresa não está otimista em relação ao futuro, mas está alterando seu foco, mantendo maior atenção em projetos de maior rentabilidade.

Segundo Ronaldo Valiño, sócio da PwC Brasil, o foco das mineradoras será sim em investimentos em projetos de menor custo. "As mineradoras continuarão com os investimentos em ampliação e em novas unidades em busca de oportunidades, mas sempre com a preocupação de reduzir os custos de exploração", disse. Foi justamente esse o recado da Vale na apresentação a investidores em Nova York, quando os executivos da empresa frisaram que a base da sua nova estratégia é focar na "eficiência de capital".

O gerente sênior de Transações Corporativas da Ernst & Young Terco, Stephen Collins, observa que os projetos de mineração têm uma maturidade longa, o que torna mais complicada a decisão de investir em novas minas diante de um cenário de maior turbulência econômica. Com isso, lembra o especialista, uma das decisões das empresas do setor tem sido a expansão dos ativos já existentes.

Freio. A questão das incertezas em relação à demanda futura de minérios e metais, assim como a dificuldade de previsão de preços dos produtos, mesmo para o curto prazo, é um dos principais fatores para a pisada no freio das companhias em relação aos seus investimentos. No setor siderúrgico, o aumento de capacidade em aço é carta fora do baralho. "Todos os projetos de expansão estão suspensos. Aqui está difícil, lá fora está ruim. Por que colocar capacidade nova? Não há viabilidade econômica", disse, recentemente, o presidente do Instituto Aço Brasil (IABr), Marco Polo de Melo Lopes.

Assim, com foco em redução de custos e maior rentabilidade, as três companhias siderúrgicas de capital aberto no Brasil também elegeram investimentos em minério de ferro como prioritários. Mesmo que o preço do insumo tenha registrado queda ao longo de 2012, o minério possui ainda alta rentabilidade e um cenário muito mais positivo em relação ao aço.

No caso da Usiminas, os investimentos em 2013 devem ficar abaixo de R$ 2 bilhões, com uma participação maior desse montante em mineração e menor em siderurgia. No mesmo caminho, a gaúcha Gerdau já abriu que os aportes em minério de ferro serão foco da empresa, por conta da maior rentabilidade. Além disso, a empresa já anunciou que o programa de investimentos de R$ 10,3 bilhões no intervalo entre 2012 e 2016 passará por revisão e o novo montante será divulgado em fevereiro, conforme previsão da empresa. Na Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) o mote é o mesmo: cautela na alocação de capital.

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