Minério de ferro puxa queda de inflação no atacado

Matéria-prima recuou 44,28% no ano; no período, inflação medida pelo IGP-10 teve queda de 1,68%

Alessandra Saraiva, da Agência Estado,

17 de dezembro de 2009 | 14h12

O destaque absoluto entre as quedas de preços no atacado, no âmbito do IGP-10 em 2009, foi o minério de ferro, que mostrou queda de 44,28% no ano. Segundo informações da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a segunda posição na lista das cinco mais expressivas deflações no atacado este ano no IGP-10 ficou com adubos e fertilizantes compostos (-45,89%), seguida por bovinos (-12,26%); arroz em casca (-26,35%) e automóvel (-9,17%). A inflação medida pelo IGP-10 em 2009 terminou o ano com queda de 1,68%, menor taxa da história do índice, criado em 1993. Em dezembro, houve queda de 0,07%.

 

Já as altas de preço de maior impacto no setor atacadista foram lideradas pelo açúcar cristal, que subiu 77,8% no ano, seguido por cana-de-açúcar (21,88%); açúcar refinado (67,83%); batata-inglesa (82,39%); e cerveja e chope (13,4%).

 

No varejo, o destaque entre as quedas de preço ficou por conta de feijão carioquinha (-38,45%); seguido por passagem aérea (-24,93%); feijão preto (-44,52%); arroz branco (-16,60%) e leite tipo longa vida (-5,10%). Entre os aumentos de preço em 2009, que mais impactaram a inflação do varejo no ano, a primeira posição é ocupada por aluguel residencial (7,24%); seguida por batata-inglesa (77,84%); cigarro (21,15%); tarifa de eletricidade residencial (5,55%); e açúcar refinado (60,29%).

 

Na construção civil, as quedas de preço mais expressivas foram registradas em vergalhões e arames de aço ao carbono (-15,59%); cimento portland comum (-6,47%); tubos e conexões de ferro e aço (-7,29%); condutores elétricos (-15,26%); e elevador (-1,39%). Entre os aumentos de preço mais destacados, na construção no âmbito do IGP-10, estão as altas registradas em ajudante especializado (8,00%); servente (7,97%); pedreiro (7,56%); carpinteiro de forma e esquadria e telhado (7,18%); e refeição pronta no local de trabalho (6,09%). (Alessandra Saraiva)

 

Alimentos

 

A alta de preços no varejo está muito concentrada nos preços dos alimentos in natura, segundo o coordenador de Análises Econômicas da fundação, Salomão Quadros. O indicador do varejo avançou de 0,02% para 0,28% de novembro para dezembro. No período, os alimentos saíram de uma deflação de 0,75% para um avanço de 0,36%. "Cerca de 90% desta taxa de inflação dos alimentos é originada de frutas, que passaram de uma queda de -6,68% para um avanço de 4,97%", comentou o especialista.

 

O destaque absoluto de aumento de preços entre os alimentos in natura foi o mamão da Amazônia (papaia), que saiu de uma deflação de 24,73% para uma alta de 27,10%. "A alta nos preços das frutas foi basicamente concentrada no mamão", disse Quadros, lembrando que os preços dos produtos in natura são muito voláteis e suscetíveis às variações do clima. "É preciso dizer que isso, essa elevação nos preços dos alimentos no varejo, tem todas as características de ser passageira", afirmou.

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